Ex-estudante de medicina condenado por estuprar irmãs e prima é preso na Argentina

TERESINA, PI (FOLHAPRESS) - Foragido há um ano e três meses, um ex-estudante de medicina de 23 anos foi preso em Mar del Plata, na Argentina, na tarde desta quarta-feira (18).

Ele foi condenado a 33 anos, oito meses e sete dias de prisão sob acusação de estuprar a irmã, de 9 anos, e uma prima, de 12, em Teresina. No processo, ele foi denunciado sob suspeita de estuprar também outra irmã de 3 anos, mas foi inocentado. A reportagem não obteve contato com sua defesa nesta quinta (19). O caso está em segredo de Justiça, e a reportagem não divulga o nome do condenado para preservar a identidade das vítimas.

A denúncia foi feita à polícia em agosto de 2021. De acordo com relatos dos envolvidos na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente em Teresina, as vítimas sofreram abusos frequentes dentro de casa e em viagens de família. Disse ainda que elas contaram ser abusadas pelo estudante durante brincadeiras, tomando banho com ele, trancadas em quarto e jogando videogame.

A mãe da menina de 12 anos disse à reportagem que o sentimento é de que a Justiça foi feita. Ela disse que carregou "uma tonelada nas costas" no período em que o condenado esteve foragido e que agora espera que ele cumpra e pena e não seja solto. A mãe informou que a filha está bem, mas que enfrentou crise de depressão e tentou suicídio.

A prisão foi confirmada na manhã desta quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí. A prisão aconteceu com apoio da Interpol e da Polícia Federal da Argentina.

O delegado Matheus Zanatta, que coordenou os trabalhos de investigação, informou que o condenado -que foi expulso da universidade em que estudava após a condenação- havia adotado o nome falso de Pedro Saldanha na Argentina.

"Ele usava nome falso e estava vivendo uma vida normal na Argentina, inclusive trabalhando em um restaurante como freelancer", afirmou.

De acordo com a polícia, o ex-estudante de medicina entrou ilegalmente na Argentina e deverá ser extraditado para o Brasil, onde cumprirá a pena.

"Para ele vir para o Brasil, é pelo processo de extradição. No entanto como Brasil e Argentina fazem parte do Mercosul, esse processo pode se tornar menos burocrático. O fato é que quem vai fazer o traslado dele é a Polícia Federal", disse Zanatta.