Ex-eurodeputado Pier Antonio Panzeri admite ligações ao Qatar e Marrocos

O advogado do ex-eurodeputado italiano Antonio Panzeri confirmou à euronews que Qatar e Marrocos estão envolvidos no escândalo da corrupção que abala o Parlamento Europeu.

Panzeri assinou, terça-feira, um acordo para obter uma pena mais leve em troca de dar todas as informações sobre a operação criminosa ao Ministério Público Federal da Bélgica.

O líder do grupo que recebeu subornos para influenciar decisões políticas espera, também, que a sua cooperação faça com que a mulher e a filha tenham uma sentença menos pesada.

"O senhor Panzeri admite ter participado ativamente em atos de corrupção relacionados com o Qatar e com Marrocos e, portanto, ter sido corrompido e ter subornado outras pessoas . Ele aceita o termo de líder da organização criminosa. Isto não significa que ele seja o único líder, significa que é pelo menos um dos líderes de uma organização cujo principal objetivo era subornar pessoas", explicou o advogado, Laurent Kennes.

E também espera, porque está a cooperar, que a sua família, ou seja a esposa e a filha, que são objeto de processo penal na Bélgica, recebam uma certa benevolência por parte do Ministério Público.

A mulher e filha de Panzeri pediram recurso da ordem de extradição de Itália para a Bélgica. A euronews questionou se estas também fazem parte do acordo.

"O interesse da justiça é ter alguém que não queira apenas defender-se e que não tenha qualquer interesse em acusar falsamente outras pessoas. Ele tem a obrigação de dizer a verdade sobre todos e em troca sabe qual vai ser a sua sentença. Ele aceita a sentença que já está estabelecida no acordo. O que é importante para ele é ter mais liberdade e mais facilidade em falar e saber o que o espera. E também espera, porque está a cooperar, que a sua família, ou seja a esposa e a filha, que são objeto de processo penal na Bélgica, recebam uma certa benevolência por parte do Ministério Público. É o que ele espera", explicou o advogado.

Laurent Kennes não quis especificar se entre os nomes que Panzeri poderá dar ao procurador, há eurodeputados atualmente em funções ou pessoas que trabalham noutras instituições europeias.

"Não posso dizer isso. Isso seria violar o acordo que temos com o Ministério Público Federal e violar um princípio. Não é do interesse do meu cliente partilhar estas informações. Comunicamos no seu interesse e em relação ao que ele quer que seja dito hoje. Mas não comunicamos sobre os elementos que ele irá referir ao sistema de justiça", concluiu.