Ex-governador Beto Richa é preso no Paraná

 

Cassiano Rosário/Futura Press

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Géssica Brandino Estelita Hass Carazzai

O ex-governador do Paraná Beto Richa, atual candidato ao Senado pelo PSDB, foi preso pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do estado na manhã desta terça-feira (11). Richa é suspeito de fraude em licitação em obras de estradas rurais no estado.

Também foram presos a mulher dele, Fernanda Richa, e o ex-chefe de gabinete, Deonilson Roldo. Ao todo, 15 pessoas são alvo de mandados de prisão temporária. 

O tucano é suspeito de ter participado de fraudes no programa Patrulhas do Campo, de recuperação e abertura de estradas rurais no interior do estado.

“É aquele padrão: licitação dirigida, pagamento de propina e eventual lavagem de dinheiro”, afirmou à Folha o procurador de Justiça Leonir Batisti, coordenador do Gaeco, braço do Ministério Público do Paraná.

OPERAÇÃO PILOTO

A gestão de Richa também é alvo nesta terça de uma nova fase da Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, batizada de Operação Piloto, que mira pagamentos milionários em obras de duplicação da rodovia estadual PR-323. 

Deonilson Roldo também é alvo da operação, assim como Jorge Theodócio, empresário apontado pela investigação como operador financeiro do ex-governador, e Tiago Correia Adriano Rocha, indicado como braço-direto de Jorge, e responsável por diversas transações financeiras dos empreendimentos do executivo.

São cumpridos dois mandados de prisão preventiva, um de prisão temporária, além de diversos mandados de busca e apreensão em Salvador, São Paulo, Curitiba e nas cidades paranaenses de Lupianópolis e Colombo.

Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria, Roldo e seu grupo receberam R$ 4 milhões, em 2014, pagos por meio do setor de operações estruturadas do Grupo Odebrecht, para limitar a concorrência na licitação da parceria público-privada para exploração e duplicação da rodovia estadual PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá.

Provas obtidas pela Procuradoria indicam que Roldo se comprometeu a ajudar a Odebrecht em troca de auxílio na campanha do governador Richa naquele ano. Com o acerto, o ex-chefe de gabinete atuou para afastar as demais empresas interessadas em participar do processo licitatório.

As condutas podem configurar os crimes de corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.