Ex-jogador diz que teve medo de morrer em jogo contra o Boca

Confronto entre Boca Juniors e Chivas em 2005 ficou marcado pela violência dentro e fora de campo. Foto: Daniel Garcia/AFP via Getty Images
Confronto entre Boca Juniors e Chivas em 2005 ficou marcado pela violência dentro e fora de campo. Foto: Daniel Garcia/AFP via Getty Images

O estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors é um dos mais temidos da América do Sul e costuma deixar marcas em que joga por lá. É o caso do mexicano Ramón Morales, ex-jogador do Chivas, que contou uma situação muito difícil que viveu no confronto contra o Boca pela Libertadores 2005.

Em confronto de quartas de final da competição mais importante da América, o time mexicano enfrentou o argentino e o clube de Guadalajara avançou para as semifinais depois de vencer por 4 a 0 em plena La Bombonera.

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O jogo teve de tudo. Desde ataques de jogadores, treinador, comissão técnica e adeptos aos jogadores do Chivas. As primeiras páginas dos jornais repudiaram o acontecido já que mais uma vez a violência tomava conta da cena. No entanto, a memória de Ramón Morales é ainda mais difícil.

"Uma ambulância nos tirou porque estávamos indo para a Copa das Confederações, de lá. Um dos homens da ambulância disse a Venado Medina e a mim: Graças a Deus somos do River, porque se fossemos do Boca, nós mataríamos vocês”, lembrou em entrevista ao podcast Trasmutando com Amaury Vergara.

“Só tive medo no futebol uma vez e foi quando fomos ao Boca, lá acreditei que iam nos matar. Não o jogo, que eles iriam nos matar. Eles jogaram algumas pedras, e eu disse ao árbitro para terminar, isso é perigoso, uma pedra para o meu goleiro, não há garantias, o árbitro veio até mim e disse 'Capitão, se eu terminar, eles matam você e eu, então vamos jogar'. No final, eles o suspenderam. Lá eu estava com medo, foi a única vez", lembrou.

Nessa mesma entrevista, Amaury Vergara, dono e presidente do Chivas, também reviveu aquela partida em que esteve presente e disse: "Em algum momento falaram que eu era o dono do Chivas. Nesse momento choveu paus, garrafas, pedaços do estádio, tudo". contou.

"Desde que o jogo começou, o Palermo me cabeceou, o técnico (Chino Benítez) cuspiu em mim, muita gente pulou e eu estava lá embaixo, muita gente estava chutando o vestiário... Eles queriam derrubar a porta, mas graças a Deus não aconteceu. Eu temi pela minha vida, mas graças a Deus deu tudo certo", explicou o então capitão do Chivas.

Após eliminar o Boca, o time mexicano deu adeus a competição ao ser eliminado pelo Athletico, que venceu o jogo em Curitiba por 3 a 0 e empatou em Guadalajara em 2 a 2.