Ex-jogador de futebol e PM citado na CPI das Milícias: conheça Zico Bacana, vereador baleado na cabeça

Luiz Ernesto Magalhães
·2 minuto de leitura
Foto: Brenno Carvalho em 5-4-2018/ Agência O Globo
Foto: Brenno Carvalho em 5-4-2018/ Agência O Globo

O vereador Zico Bacana (Podemos), baleado na cabeça na noite de domingo, ​é descrito pelos colegas na Câmara dos Vereadores do Rio como um homem discreto e com forte atuação política na região de Guadalupe, Ricardo de Albuquerque e Anchieta, onde aconteceu o crime, e aliado do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos). Bacana concorre à reeleição após ter sido eleito pela primeira vez em 2016.

Jair Barbosa Tavares virou Zico Bacana por sua paixão pelo futebol — ele é ex-jogador de futebol de salão e vestiu a camisa do Madureira. Na tarde de domingo, ele assistiu uma partida de um campeonato de futebol amador em Ricardo de Albuquerque antes de ir para o bar em Anchieta. Antes de entrar para a PM, Bacana trabalhou como mecânico na oficina do pai e foi paraquedista. Ele passou para a reserva remunerada da corporação em 2018, após 28 anos de serviço.

A sua atuação nos bairros da Zona Norte do Rio chamou atenção da CPI das Milícias, realizada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), em 2007. Informações que chegaram ao Disque-Denúncia na época o apontavam como suposto chefe de grupos paramilitares nas comunidades de Eternit, Gogó e Camboatá (Guadalupe), Cavalheiro da Esperança e 29 de Abril (Ricardo de Albuquerque). Seu nome, entretanto, não foi incluído no relatório final. Segundo o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), relator da CPI quando estava na Alerj, não foram encontradas provas contra Zico Bacana e a comissão que todos nesta situação fossem alvos de investigação pelo Ministério Público (MP).

O vereador também chegou a depor nas investigações que apuram a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL). Dias antes de ser assassinada, Marielle fez denúncias contra o batalhão de Irajá, onde Zico Bacana foi lotado quando era policial. Nada foi provado contra ele.

Na Justiça, o vereador foi investigado por agressões em pelo menos dois processos. Em um terceiro procedimento instaurado em 2019, dez após a abertura de inquérito na 30ª DP (Marechal Hermes), Zico Bacana foi acusado de constrangimento ilegal e posse irregular de arma de fogo. Contudo, o MP recomendou a extinção da ação por prescrição do caso.


O advogado Alexandre Meireles, amigo do vereador, negou que o parlamentar tenha envolvimento com milícias.

— Ele nasceu na região e dedicou muito seu mandato àquela região de Guadalupe e Ricardo de Albuquerque, que sofre com falta de serviços pelo poder público. E é uma pessoa que não tem uma rotina pré-determinada. Naquele dia, o chamaram para assistir a um campeonato de futebol amador e depois para o bar. Não dá para apontar um responsável. Mas a realidade é que foi eleito com pouco mais de 8 mil votos e estava crescendo politicamente — disse Meireles.