Ex-jornalista russo Safronov é condenado a 22 anos de prisão por traição

Ex-jornalista russo Ivan Safronov em cela durante audiência em tribunal de Moscou

(Reuters) - Um tribunal russo condenou nesta segunda-feira um ex-jornalista a 22 anos de prisão por traição depois que promotores alegaram que ele divulgou segredos de Estado, uma decisão que seus apoiadores disseram ser uma punição severa que mostrou a ausência de liberdade de imprensa na Rússia.

Ivan Safronov, ex-repórter de defesa dos jornais Kommersant e Vedomosti que se tornou conselheiro do chefe da agência espacial russa, foi preso em 2020 e acusado de divulgar informações confidenciais.

Os advogados de Safronov disseram que vão recorrer do veredicto. Seus apoiadores dizem que o caso é uma retribuição por sua reportagem que expôs detalhes dos acordos internacionais de armas da Rússia.

Falando do lado de fora do tribunal, o advogado de Safronov, Dmitry Katchev, disse que quase perdeu as palavras com a decisão.

"Safronov recebeu 22 anos por sua atividade jornalística. Quero que cada um de vocês, que está olhando para mim agora, pense se vale a pena permanecer nesta profissão. Se alguém recebeu 22 anos por fazer seu trabalho", disse ele a repórteres .

Os promotores disseram que Safronov compartilhou segredos de Estado sobre as vendas de armas da Rússia no Oriente Médio para o braço de inteligência estrangeira da República Tcheca. Ele negou as acusações e no mês passado rejeitou um acordo judicial que o levaria a cumprir uma sentença de 12 anos de prisão.

Sua equipe de defesa acredita que o julgamento é uma retribuição por Safronov, que revelou os planos da Rússia de vender caças para o Egito. O acordo estimado em 2 bilhões de dólares foi cancelado logo depois, quando os Estados Unidos ameaçaram sanções ao Cairo se fosse adiante.

A sentença pesada, maior do que os tribunais russos normalmente dão em casos de assassinato, é vista como um golpe contra a reportagem russa em meio a uma intensificação da pressão exercida sobre a liberdade de imprensa pelo Kremlin desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro.

(Reportagem da Reuters)