Ex-líder das Farc reconhece responsabilidade em mais de 20 mil sequestros na Colômbia

'Rodrigo Londoño, o Timochenko, antigo líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), reconheceu nesta terça-feira sua responsabilidade em mais de 20 mil sequestros realizados pela extinta guerrilha na Colômbia, em uma audiência diante das vítimas e do tribunal de transição que julga os piores crimes do conflito colombiano, que durou cinco décadas.

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Sentado diante de várias vítimas de sequestro e de seus familiares em um auditório em Bogotá, Timochenko admitiu sua responsabilidade por esses atos, acompanhado por outros seis ex-integrantes do alto escalão das Farc investigados pela Jurisdição Especial para a Paz (JEP), o órgão de justiça de transição nascido do acordo que pôs fim à guerrilha.

Em nome dos 13 mil combatentes que assinaram o acordo em 2016, o ex-chefe guerrilheiro reconheceu a "responsabilidade individual e coletiva de um dos crimes mais abomináveis cometidos" pelas Farc. Foram "fruto de uma política que desembocou em crimes de lesa-Humanidade e crimes de guerra", disse o homem que era líder das Farc no momento do seu desarmamento.

Foram "fruto de uma política que desembocou em crimes de lesa-humanidade e crimes de guerra", disse o antigo líder das Farc no momento de seu desarmamento.

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Os ex-líderes da guerrilha Pablo Catatumbo, Julián Gallo, Pastor Alape, Milton Toncel, Rodrigo Granda e Jaime Alberto Parra também participam das audiências, que serão realizadas até a próxima quinta-feira. A JEP os acusou de mais de 21 mil sequestros e outros crimes, como a tortura, cometidos entre os anos de 1990 e 2016.

Políticos e militares que foram raptados para forçar trocas por rebeldes presos ouviram a confissão e fizeram objeções ao que consideram uma "dívida para contribuir com a verdade" por parte dos perpetradores. Óscar Tulio Lizcano, sequestrado em 2000 quando era um congressista conservador, exigiu que seus "carcereiros" esclarecessem o paradeiro dos sequestrados desaparecidos.

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— Que nos digam a verdade. Nós perdoamos, mas isso não quer dizer que abrimos mão da justiça, queremos a verdade — reivindicou o ex-parlamentar de 75 anos, que conseguiu escapar de seus captores em 2008.

"Esses crimes foram resultado de uma política adotada pelo secretariado [cúpula] das Farc" e "cometidos de maneira direta por seus subordinados", afirmou a magistrada Julieta Lemaitre, que presidiu a sessão.

Segundo o acordo de paz, os ex-guerrilheiros devem oferecer reparação às vítimas e dizer a verdade para evitar a prisão. O tribunal levará pelo menos três meses para impor sanções aos imputados. Se considerar que suas confissões são insuficientes, poderá condená-los a penas de até 20 anos de reclusão.

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Em maio, cerca de 20 militares reformados, incluindo um general, reconheceram sua participação nos assassinatos de mais de 100 civis para fazê-los se passar por guerrilheiros caídos em combate na fronteira com a Venezuela. O tribunal estima que pelo menos 6.400 pessoas foram vítimas dessa prática, conhecida como os "falsos positivos", que, junto com os sequestros, martirizaram a Colômbia no conflito de mais de seis décadas.

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