Ex-'Malhação' revela que tomava remédio para emagrecer aos 15 anos: 'Pressão cruel'

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Carolinie Figueiredo contou que tomava anfetamina para emagrecer aos 15 anos. A revelação foi feita pela atriz de ''Malhação'' no Instagram, onde ela publicou um longo relato sobre aceitação do próprio corpo: ''Eu comecei a tomar anfetamina pra emagrecer (e assim ser reconhecida como atriz capaz de ser convidada pra testes) com 15 anos. São mais de 15 anos adoecendo pela cobrança em cima dos nossos corpos pela "beleza" com validação social."

A intérprete de Domingas na temporada de 2007 da novela teen também falou que se reconhecer como uma mulher gorda naquela época não era ''prestígio nem empoderamento''. ''Em 2007, se reconhecer como uma mulher gorda não era prestígio nem empoderamento. Era ser um peixe fora d’água, alguém que não tinha espaço na TV. Ser reconhecida por ser uma mulher gorda não era visto como um construção de poder pessoal, de discurso de apropriação do seu corpo. Não existia bodypositive e estar ali era resistir e fazer esforço pra me sentir pertencente", continuou a artista.

Carolinie ainda afirmou que seu corpo sempre foi saudável apesar de ser chamada de ''gordinha'': ''Também importante marcar sempre a pressão estética cruel feita encima dos nossos corpos. Aquela menina/mulher de 18 anos não estava gorda. Era uma menina-mulher com corpo saudável. Tóxico era o padrão televisivo pela magreza excessiva dos nossos corpos e a antiga associação de magreza com felicidade''.

Ela também agradeceu pela visibilidade que a personagem trouxe à questão dos padrões de corpo. ''Nos meus 18, 19 e 20 anos era uma referência de aceitação para muitas jovens da época que, pela primeira vez, se viam representadas num programa jovem por estar acima do peso e "mesmo assim" ser uma referência de autoestima e aceitação.''

Apesar de ter se tornado uma referência, Carolinie afirmou que percorreu um longo caminho até ser a pessoa que é hoje. ''A mulher de 31 anos constantemente vai até essa menina para conversar com ela. Primeiro porque fui colocada como gorda, gordinha de fora pra dentro. Não foi uma construção e percepção interna pra me assumir nesse papel. Mas a Carol de 18 anos só queria ser aceita a qualquer custo. Hoje a mulher de 31 anos ensina algumas informações importantes. Hoje, aos 31 anos, eu acolho e escuto toda opressão que essa menina viveu sem se dar conta e sem ter há treze anos, sem todos os movimentos de emancipação dos corpos, fortalecimento dos nossos discursos de autoestima e aceitação.
Quando você vê a mulher de 31 dançando, se expressando... Pode ter certeza que foi um caminho longo, árduo e forte de aceitação pra habitar meu corpo.'', concluiu a artista.