Ex-marido acusado de matar juíza na Barra da Tijuca vai a julgamento no tribunal do júri

O engenheiro Paulo José Arronenzi, acusado de assassinar a facadas a ex-mulher, a juíza Viviane Vieira do Amaral, será julgado pelo 3º Tribunal do Júri do Rio, nesta quinta-feira, a partir das 13h. O crime ocorreu na véspera do Natal de 2020 na frente das três filhas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Na ocasião, a magistrada levava as crianças para passarem a data com o pai.

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Arronenzi foi preso em flagrante logo em seguida por guardas municipais. De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato foi motivado "pelo inconformismo do acusado com o término do relacionamento, especialmente pelas consequências financeiras do fim do casamento na vida do engenheiro".

Ele foi denunciado por homicídio quintuplamente qualificado: feminicídio, ou seja, a vítima foi morta por ser mulher; o crime foi praticado na presença de três crianças; o assassinato foi cometido por motivo torpe, já que o acusado a matou por não se conformar com o fim do relacionamento; o crime foi cometido por um meio que dificultou a defesa da vítima, atacada de surpresa quando descia do carro enquanto levava filhas ao encontro do ex-marido; e o meio cruel utilizado, uma vez que as múltiplas facadas no corpo e no rosto causaram intenso sofrimento à vítima.

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Na ocasião, Paulo José estava indo buscar as três filhas que teve com Viviane, que passariam a data comemorativa com ele. As crianças, uma de 10 anos e duas gêmeas de , presenciaram o crime

A juíza Viviane Vieira do Amaral tinha 45 anos e integrou a Magistratura do Estado do Rio de Janeiro por 15 anos. Ela atuava na 24ª Vara Cível da Capital.

Comportamento violento

Em depoimento, a mãe da juíza contou que praticamente só falava com a filha por telefone durante os 11 anos em que Viviane e Paulo José se relacionaram. De acordo com ela, o engenheiro mantinha a então esposa isolada do resto da família, bem como as filhas do casal. Em setembro do ano passado, a magistrada propôs a separação em virtude do comportamento violento do companheiro.

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Ao ser ouvido durante a investigação, um irmão de Viviane confirmou o histórico de violência do cunhado. Ao depor, ele também destacou o fato de que Paulo José não assumia nenhuma das despesas da família. Outros parentes e amigos da juíza também ofereceram relatos semelhantes.

Também constam no processo as informações fornecidas por testemunhas que presenciaram o crime. Elas contam que tiveram a atenção despertada por um comportamento estranho do engenheiro, que andava de um lado para o outro na calçada enquanto aguardava a ex-esposa com as filhas. Assim que Vviane chegou, Paulo José, que levava uma mochila com várias facas, deu início ao ataque.