Ex-marido que matou juíza é transferido para presídio após ficar em silêncio na delegacia

Rafael Nascimento de Souza
·2 minuto de leitura
Reprodução/Polícia Civil

RIO — O engenheiro Paulo José Arronenzi, de 52 anos, acusado de matar a facadas a ex-mulher, a juíza Viviane Vieira do Amaral Arronenzi, 45, foi transferido da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte. Ele deixou a especializada pouco depois das 10h.

Segundo a Polícia Civil, o exame de corpo de delito e a audiência de custódia serão feitos no próprio presídio nas próximas horas. O engenheiro se recusou a prestar esclarecimentos na delegacia e afirmou que só vai se manifestar na Justiça.

Paulo José foi detido por guardas municipais após assassinar a ex-companheira na frente das três filhas — uma de 9 anos e duas gêmeas de 7 — na Rua Raquel de Queiroz, na Barra da Tijuca, na véspera de Natal.

Os agentes questionaram se ele estava arrependido de seu ato. Como resposta, apenas chacoalhou os ombros, demonstrando não ter arrependimento e disse preferir morrer.

— Ele ficou o todo tempo calado, mas perguntamos se estava arrependido de algo. Ele balançou o ombro como queria dizer "tanto faz, tanto fez", só dizendo que era melhor morrer — relata o guarda municipal Adailton Moraes, ao GLOBO.

Ameaça em setembro

No dia 14 de setembro, Viviane registrou um boletim de ocorrência na 77ª DP em Icaraí, Niterói, após ser ameaçada de morte pelo então companheiro. Na ocasião, ela havia comunicado Paulo sobre o desejo de terminar o casamento.

Em depoimento a juíza narrou ao chegarem a um prédio, na Rua Mariz e Barros, Paulo forçou a entrada, passando pelo porteiro sem autorização, e empurrou Viviane. Ela narra ter caído no chão e lesionado a coxa direita. A juíza admitiu que o então marido tinha “gênio explosivo”, mas negou que a tivesse agredido anteriormente. Viviane afirmou que não gostaria de vê-lo preso nem de representar criminalmente contra ele.

No primeiro termo de declaração, a magistrada disse que prezava pela integridade física e pelo bom andamento do término do relacionamento, mas que não desejaria fazer jus ao seu direito de arguir as medidas protetivas da Lei Maria da Penha.

Cinco horas depois, Viviane retornou a 77ª DP para contar que Paulo voltou a casa de sua mãe, jogou todas as suas roupas pelas grades do condomínio e prometeu: “Isso não vai ficar assim! Eu vou te matar”. Ela repetiu que não desejava que o engenheiro fosse preso, mas, dessa vez, requereu a adoção das medidas protetivas. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça — ambos no âmbito de violência doméstica.