Ex-ministro de Bolsonaro diz que vai voltar ao Brasil e se apresentar à Justiça após ordem de prisão

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que teve sua prisão ordenada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes nesta terça-feira (10), afirmou que vai retornar ao Brasil e se apresentar à Justiça.

"Hoje (10/01), recebi notícia de que o ministro Alexandre de Moraes do STF determinou minha prisão e autorizou busca em minha residência. Tomei a decisão de interromper minhas férias e retornar ao Brasil. Irei me apresentar à justiça e cuidar da minha defesa", escreveu Torres nas redes sociais.

"Sempre pautei minhas ações pela ética e pela legalidade. Acredito na Justiça brasileira e na força das instituições. Estou certo de que a verdade prevalecerá".

Torres está nos Estados Unidos desde semana passada. Ele viajou cinco dias após reassumir o comando da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, nomeado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB). O emedebista foi afastado do cargo após os atos de vandalismo em Brasília.

Na decisão, Moraes disse que a conduta de Anderson Torres é "gravíssima" e coloca em risco a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de outros políticos.

A prisão havia sido solicitada pela PF (Polícia Federal), afirmando que os fatos investigados "demonstram uma possível organização criminosa que tem por um de seus fins desestabilizar as instituições republicanas".

Além de Torres, o ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal Fabio Augusto Vieira também foi preso por ordem de Moraes. Segundo o ministro, a "omissão [de ambos] ficou amplamente comprovada pela previsibilidade da conduta dos grupos criminosos e pela falta de segurança que possibilitou a invasão dos prédios públicos".

À Folha de S.Paulo, Torres se defendeu no domingo (8) e afirmou que não se omitiu de suas responsabilidade. "Não houve leniência, é a primeira vez que tiro férias em muito tempo. O planejamento foi feito", disse. O ex-ministro também afirmou haver mentiras sendo contadas.

Integrantes do governo federal, governo do Distrito Federal e Judiciário atribuem as falhas no esquema de segurança no domingo (8) à Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Militar do DF.

Para eles, a omissão das forças de segurança do DF possibilitou que os prédios do STF, Palácio do Planalto e Congresso Nacional fossem invadidos e depredados. As principais queixas se referem ao baixo efetivo da PM na Esplanada dos Ministérios e a ausência do Batalhão de Choque no início do tumulto.

A governadora em exercício do DF, Celina Leão (PP), disse nesta terça que o planejamento foi alterado pelas forças de segurança sem anuência nem comunicação ao Palácio do Buriti —fato que, segundo a progressista, fez com que o governo local repassasse informações erradas para o governo federal.

"Eu só quero lembrar que a mesma segurança que deu suporte para Lula tomar posse é a segurança pública que falhou na semana passada. No meu entendimento, houve uma falha no comando da Polícia [Militar do DF]. Agora, o inquérito e o próprio interventor vão saber identificar por que, quem, como e quando aconteceu", disse à imprensa.

Após a depredação dos prédios públicos, cerca de 1,5 mil bolsonaristas foram detidos. A maioria foi presa na segunda-feira (9), quando o Exército e a PM realizaram uma operação de desmonte do acampamento em frente ao QG do Exército, em Brasília.

Nesta terça, cerca de 600 mulheres, crianças e idosas foram liberadas da Academia Nacional da Polícia Federal, onde os detidos pela depredação permanecem há mais de 24 horas.

Para agilizar a tomada de depoimento dos presos, a PF criou um formulário, que deverá ser preenchido pelos mais de 1 mil bolsonaristas detidos.

No formulário, além de informações como nome, endereço e filiação, o detido é questionado sobre de qual cidade viajou para Brasília, como foi o translado, qual sua fonte de renda e se possuiu redes sociais.

A PF também pergunta quem financiou a viagem para a capital federal e, em caso de indicação do financiador, qual o nome e telefone da pessoa.

Sobre os ataques aos prédios públicos, a PF questiona se o interrogado participou dos atos, se danificou algum bem público ou se poderia apontar alguma pessoa envolvida no vandalismo.