Ex-ministro da Defesa do México se declara inocente de tráfico de drogas

·2 minuto de leitura
Salvador Cienfuegos em 16 de abril de 2016
Salvador Cienfuegos em 16 de abril de 2016

O ex-ministro da Defesa mexicano Salvador Cienfuegos, acusado de proteger e ajudar um cartel no tráfico de toneladas de drogas para os Estados Unidos em troca de propinas milionárias, se declarou inocente perante um juiz de Nova York.

Os promotores do Brooklyn acusam o general aposentado de ajudar o cartel H-2 a "contrabandear milhares de quilos de cocaína, heroína, metanfetamina e maconha para os Estados Unidos, incluindo a cidade de Nova York" entre 2015 e 2017.

Cienfuegos foi ministro durante todo o governo de Enrique Peña Nieto (2012-2018).

A audiência nesta quinta-feira (5) perante o juiz Steven Gold, realizada por videoconferência devido à pandemia, foi brevemente suspensa porque um eco persistente tornou impossível ouvir os participantes.

O réu "entende as acusações e se declara inocente", disse seu advogado, Edward Sapone.

A próxima audiência será em 18 de novembro perante a juíza Carol Amon.

Embora a acusação deste general aposentado de 72 anos apelidado de "O Poderoso Chefão" tenha sido apresentada pela Procuradoria do Distrito Leste de Nova York em agosto de 2019, ela só foi divulgada em 16 de outubro, quando Cienfuegos foi preso a pedido da DEA, a agência de drogas dos EUA, ao chegar ao aeroporto de Los Angeles.

Desde aquela data ele está detido. Se for considerado culpado, ele pode ser condenado a uma pena de prisão que pode ser de 10 anos à perpétua.

A prisão de Cienfuegos ocorre menos de um ano após a prisão do ex-secretário de Segurança Pública mexicano Genaro García Luna, nos Estados Unidos, acusado de tráfico de drogas por aceitar subornos para proteger o cartel de Sinaloa.

García Luna foi chefe da agência federal de investigação do México de 2001 a 2005 e ministro durante seis anos no gabinete de Felipe Calderón, a quem ajudou a planejar uma guerra contra o tráfico que aumentou o papel das forças armadas.

Desde então, mais de 296.000 assassinatos foram registrados no México, a maioria ligada ao crime organizado.

A acusação de García Luna em Nova York é o resultado de revelações que surgiram no julgamento de Joaquín "Chapo" Guzmán, ex-chefe do cartel de Sinaloa, considerado culpado de tráfico de drogas em fevereiro de 2019 após um histórico julgamento de três meses no tribunal do Brooklyn , e condenado à prisão perpétua.

lbc/gma/jc/mvv