Ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, ganha cargo na Secretaria-Geral do Exército

Redação Notícias
·4 minuto de leitura
Brazilian President Jair Bolsonaro bumps the shoulder of his Health Minister Eduardo Pazuello after presenting the National Vaccination Plan Against COVID-19 during a ceremony at Planalto presidential palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Dec. 16, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Após a saída de Teich, por discordar de Bolsonaro sobre métodos ineficazes no tratamento da Covid-19, ele passou a ocupar o cargo de ministro interino — foi efetivado em setembro (Foto; AP Photo/Eraldo Peres)
  • O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi nomeado para um cargo na Secretaria-Geral do Exército, em Brasília

  • A Secretaria-Geral do Exército tem uma atuação bem burocrática — e demanda uma certa experiência com logística

  • O general é investigado em um inquérito que apura suposta omissão no combate à pandemia em Manaus, que sofreu com uma crise grave de falta de oxigênio no início do ano

O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, foi nomeado para um cargo na Secretaria-Geral do Exército, em Brasília. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (23).

Pazuello estava no Comando do Exército da 12ª Região Militar, em Manaus, no Amazonas. Ele comandava as funções nessa região antes de ser chamado para assumir o cargo de secretário-executivo da pasta da Saúde na gestão do também ex-ministro Nelson Teich, em abril do ano passado.

Leia também

Após a saída de Teich, por discordar de Bolsonaro sobre métodos ineficazes no tratamento da Covid-19, ele passou a ocupar o cargo de ministro interino — foi efetivado em setembro. 

Do ponto de vista administrativo, Pazuello foi transferido da 12ª Região Militar, em Manaus, para Brasília. Como está na ativa, Pazuello tem que ficar “ligado” a algum órgão do Exército. Normalmente, militares que são nomeados para cargos fora da corporação ficam adidos à Secretaria Geral do Exército.

De acordo com o jornal Correio Braziliense, a Secretaria-Geral do Exército tem uma atuação bem burocrática — e demanda uma certa experiência com logística. 

A pasta é responsável por preparar reuniões do alto comando, conduzir os processos de concessão das medalhas, regular o cerimonial militar da Força, organizar e divulgar os boletins do Exército e assessorar o comandante sobre normatização do uso de uniformes.

Pazuello investigado por omissão na pandemia

Pazuello deixou o cargo no ministério sendo amplamente criticado. Além disso, o general é investigado em um inquérito que apura suposta omissão no combate à pandemia em Manaus, que sofreu com uma crise grave de falta de oxigênio no início do ano. 

O caso foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) e enviado para a primeira instância depois que Pazuello saiu do cargo e perdeu o foro privilegiado.

Empleados de un cementerio con trajes especiales para protegerse del coronavirus entierran el miércoles 20 de mayo de 2020 a Amanda da Silva, de 22 años, que falleció de COVID-19, en el cementerio de Caju, en Río de Janeiro. (AP Foto/Silvia Izquierdo)
Estudos mostram que os medicamentos do "kit Covid", cloroquina, hidroxicloroquina e a azitromicina, podem levar a falência dos rins por desenvovler intoxicação chamada hepatite medicamentosa (Foto: AP Foto/Silvia Izquierdo)

Indicações de remédios que levam à fila de transplante de fígado

Pazuello também foi criticado pelas indicações do ministério do uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19, como cloroquina, algo amplamente pregado pelo presidente Jair Bolsonaro, e o chamado "kit Covid".

Estudos mostram que os medicamentos do "kit Covid", cloroquina, hidroxicloroquina e a azitromicina, podem levar a falência dos rins por desenvovler intoxicação chamada hepatite medicamentosa.

Logo que assumiu o cargo de ministro, em maio do ano passado, a pasta publicou um documento com orientações para tratamento medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico de Covid-19, que incluem as drogas do "kit Covid".

Segundo o próprio documento da pasta, o protocolo foi publicado “com objetivo de ampliar o acesso dos pacientes a tratamento medicamentoso no âmbito do SUS”.

Novo ministro defende fala que vacinados poderiam virar “jacaré”

Quem assumiu a pasta deixada pelo general, o médico Marcelo Queiroga também segue o que Bolsonaro diz. Nesta sexta, Queiroga defendeu a fala do presidente Jair Bolsonaro a respeito do termo de responsabilização no contrato com a Pfizer

Em sua transmissão semanal nas redes sociais, em dezembro, Bolsonaro afirmou, em tom de piada, que as pessoas que se vacinassem poderiam virar “jacaré”. Queiroga, no entanto, elogiou o presidente, chamando de "excelente comunicador".

"O presidente é excelente comunicador e tem uma maneira própria de se comunicar com a população brasileira. Talvez quando o presidente falou isso, ele estava alertando acerca da importância de se verificar segurança não só das vacinas, mas de todos os medicamentos”, disse o ministro, em entrevista ao jornal O Globo.

"Cada um tem a forma de se comunicar. Ele é excelente comunicador. O presidente é o maior ativo do enfrentamento à pandemia de Covid-19. Ele me deu autonomia para montar equipe técnica à frente do ministério, e abrimos um diálogo bem maior com a comunidade científica”.