Ex-ministro de Dilma defende investigação de envolvidos em diálogos hackeados da Lava Jato

FÁBIO ZANINI
·2 minuto de leitura
***FOTO DE ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, BRASIL, 14-08-2017: Lançamento do livro Comentarios a uma sentença anunciada - O processo Lula, escrito por vários advogados e juristas, na PUC - SP. Na foto, Jose Eduardo Cardozo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, BRASIL, 14-08-2017: Lançamento do livro Comentarios a uma sentença anunciada - O processo Lula, escrito por vários advogados e juristas, na PUC - SP. Na foto, Jose Eduardo Cardozo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ex-ministro da Justiça do governo Dilma Rousseff, o advogado José Eduardo Cardozo defendeu neste sábado (13) a investigação de autoridades em diálogos vazados entre integrantes da operação da Lava Jato.

As conversas foram hackeadas e, mais tarde, apreendidas pela Polícia Federal no âmbito da Operação Spoofing, que investiga os invasores dos celulares de membros da operação.

O material expôs a proximidade entre o ex-juiz Sergio Moro e a magistrada Gabriela Hardt e os procuradores da Lava Jato.

O conteúdo que veio à tona dá força ao pedido de suspeição de Moro apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que será analisado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Neste sábado, em nota, o ex-ministro da Justiça reagiu aos diálogos e disse que "agentes públicos não podem agir sob a sombra das leis".

Em parte das mensagens, como mostrou a coluna Mônica Bergamo, Moro indicou a procuradores da Lava Jato testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre Lula.

O ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro também orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação e antecipou ao menos uma decisão judicial.

"Na condição de ex-ministro de Estado da Justiça, reajo também, com espanto e indignação, ao ler que membros da Operação Lava-Jato, de modo sistemático e contínuo, dialogavam e agiam, premeditada e conscientemente, para obter ilegalmente provas no exterior que pudessem servir às suas convicções, vindo, mais tarde, a 'esquentá-las' perante os Tribunais Superiores do país", afirmou Cardozo na nota divulgada neste sábado.

Ele ainda diz que, mesmo que não sejam validadas as conversas como provas, já que foram obtidas de modo ilegal, os fatos exigem "a imediata defesa de um violado Estado Democrático de Direito". ​

"Que sejam apuradas imediatamente as responsabilidades dos que abusaram do seu poder, para que, no futuro, ninguém imagine que está acima da lei e da Constituição", concluiu o advogado.