Ex-ministro de Kuczynski é investigado por receber pagamento da Odebrecht no Peru

(Fevereiro) Manifestação contra a corrupção em Lima

O ex-ministro da Defesa do governo de Pedro Pablo Kuczynski é investigado pela Justiça peruana por suposto pagamento irregular recebido da empreiteira brasileira Odebrecht, que teria sido destinado à campanha eleitoral do atual presidente, informaram o Ministério Público e a imprensa.

"Equipe especial do Ministério Público realiza operação em 12 imóveis de Lima e Callao em investigação por suposto pagamento de propinas da Odebrecht a campanha presidencial", indicou a Procuradoria no Twitter.

"Não se descarta o envolvimento deste governo", disse o procurador de combate à corrupção César Zanabria ao canal América TV.

Os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente, mas a imprensa peruana identificou o ex-ministro da Defesa e atual representante do governo no Parlamento Andino, Mariano González, como o investigado.

González integrou o governo de Ollanta Humala (2011-2016) e depois Kuczynski, que assumiu o poder em 28 de julho de 2016, o designou como ministro da Defesa.

O site do jornal La República afirma que um dos pagamentos da Odebrecht a González no início de 2016 terminou como um aporte para campanha do então candidato Kuczynski. Para o MP, os contratos de consultoria assinados eram fictícios, de acordo com a publicação.

O ex-ministro figura oficialmente como contribuinte com 104.000 soles (32.000 dólares) para a campanha de Kuczynski, segundo informações oficiais. O governo não se pronunciou até o momento.

González deixou o ministério da Defesa no fim de 2016 por um escândalo provocado pela designação de sua esposa para um alto cargo de seu gabinete.

Mas ele mantém o posto de representante eleito do governo no Parlamento Andino, órgão deliberativo da Comunidade Andina, o que significa que tem imunidade e não pode ser detido e ter os bens apreendidos antes do julgamento da denúncia.

Segundo a imprensa, Héctor Gutiérrez, ex-procurador do ministério da Defesa e colaborador de González, também é investigado.