Ex-ministro do Planejamento e professor de Economia, João Sayad morre em SP aos 75 anos

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O economista e ex-ministro do Planejamento João Sayad, 75 anos, morreu neste domingo (5) no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde o dia 30 de agosto para tratar um câncer.

Primeiro ministro do Planejamento após a redemocratização do Brasil, Sayad participou da equipe que desenhou o Plano Cruzado, em 1986. Integrante do grupo conhecido como “novos economistas paulistas”. ao lado de José Serra, Luciano Coutinho e André Franco Montoro Filho, Sayad atuou também como consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e chefiou a Secretaria de Finanças na prefeitura de São Paulo e a pasta da Cultura no governo do estado.

A participação em cargos públicos foi intercalada com as aulas na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Especialista em política monetária, lançou o livro “Dinheiro, dinheiro: Inflação, desemprego, crises financeiras e bancos” e discutiu os principais problemas brasileiros em “Que país é este?”.

Nascido em São Paulo, em 1945, Sayad formou-se em Economia na USP em 1967 e começou a lecionar já no dia seguinte. Enquanto ainda era aluno, foi diretor cultural do Centro Acadêmico Visconde de Cairu. Após conquistar o PhD em Economia na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, tornou-se livre docente do centro de ensino paulista.

O primeiro carago público foi assumido em 1983, quando aceitou ser secretário da Fazenda do então governador Franco Montoro. Os resultados obtidos em São Paulo e suas ligações políticas o cacifaram para ser o ministro do Planejamento de Tancredo Neves, que não viria a assumir o mandato.

Já no governo de José Sarney, Sayad ajudou a formular o Plano Cruzado, que tinha o objetivo de combater a hiperinflação por meio da troca de moeda e do congelamento de preços, entre outras medidas. A proposta teve resultados positivos imediatos, mas se mostrou insustentável passados alguns meses e foi sucedida por novos planos.

Sayad também foi secretário de Finanças e Desenvolvimento Econômico durante a gestão de Marta Suplicy (então no PT) na Prefeitura de São Paulo, de 2001 a 2003. Quatro anos depois, na gestão de José Serra (PSDB) no governo do estado de São Paulo, foi secretário de Cultura e presidente a Fundação Padre Anchieta, que controla a TV Cultura.

Marta divulgou nota em que lamentou a morte do seu antigo secretário. "Discutimos intensamente a implantação dos principais programas sociais do governo: Renda Mínima, Banco do Povo, Bolsa Trabalho, Começar de Novo". A ex-ministro lembrou da luta pela redemocratização e da amizade com Sayad.

Também ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) lamentou a perda do economista, a quem chamou de irmão. "Uma das pessoas mais admiráveis que já conheci. Inteligente, bem-humorado, generoso… não cabe num tuíte nem numa biblioteca o tamanho desse ser humano", escreveu.

O economista deu entrada no Hospital Sírio Libanês no dia 30 de agosto para tratamento hematológico e oncológico. O velório deve ocorrer nesta segunda-feira em São Paulo. Sayad deixa a Sayad deixa a companheira e duas filhas.

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