Ex-ministro de Sarney e ex-governador da Bahia, Roberto Santos morre aos 94

JOÃO PEDRO PITOMBO
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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O ex-governador da Bahia Roberto Santos morreu nesta terça-feira (9), em Salvador, aos 94 anos. Ele estava internado havia duas semanas com um quadro de infecção urinária, mas não resistiu a complicações da doença. Santos era médico e iniciou sua carreira política no período da ditadura militar. Foi governador da Bahia entre 1975 e 1979, indicado para o cargo pelo então presidente Ernesto Geisel. Após o fim do regime militar, foi ministro da Saúde entre 1986 e 1987, durante o governo do então presidente José Sarney (MDB). Ele era filho do professor, reitor e fundador da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Edgar Santos, que se notabilizou pela criação das primeiras escolas de ensino superior de dança, música e teatro do país. Assim como o pai, teve trajetória no meio acadêmico. Formou-se em medicina aos 23 anos, foi pesquisador, professor da UFBA e também chegou ao posto de reitor da universidade. Entre 1950 e 1967 atuou como médico no Hospital das Clínicas, ligado à UFBA. Em 1967, foi nomeado secretário estadual de Saúde no governo Luiz Viana Filho, cargo que deixou após ser escolhido reitor da UFBA. Ingressou na política partidária em 1974, filiando-se à Arena, partido de sustentação da ditadura militar. Sua indicação ao governo do estado significou, na época, um revés para o então governador Antônio Carlos Magalhães, que indicou os nomes de Luís Sande e Clériston Andrade, mas não conseguiu indicar seu sucessor. Santos foi escolhido por ser um nome de consenso entre os diversos grupos políticos da Bahia que apoiavam o regime militar. Em seu governo, implantou dezenas de centros sociais urbanos, espaços dedicados ao esporte e cultura, e também construiu o Centro de Convenções da Bahia. Politicamente, rompeu com Antônio Carlos Magalhães, chegando a paralisar obras e anular contratos firmados pelo antecessor. No fim do mandato, não conseguiu indicar o sucessor e viu o adversário ACM assumir o governo. No período democrático, Santos chegou a ser candidato ao governo da Bahia por duas vezes, ambas pelo MDB. Em 1982, teve 38% dos votos, mas foi derrotado por João Durval Carneiro, então no PDS. Em 1990, foi derrotado por ACM, eleito ainda no primeiro turno pelo PFL. Em 1994, foi eleito deputado federal pelo PSDB, cumprindo apenas um mandato. Desde então, não disputou mais cargos eletivos e passou a se dedicar integralmente à academia. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e da Academia de Letras da Bahia. Também foi fundador e membro da Academia de Ciências da Bahia. Ao longo da vida, publicou mais de 40 livros, sendo a maioria deles dedicados à medicina. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), decretou luto oficial de três dias e lamentou a morte. "Roberto Santos deu grande contribuição ao desenvolvimento do estado e deixa um legado de muito trabalho, respeito aos baianos e valorização da ciência. Meus sentimentos aos seus familiares e amigos por esta grande perda", afirmou. O prefeito de Salvador, Bruno Reis (DEM), destacou o papel de Roberto Santos na história da Bahia e o seu comprometimento com os setores da educação e saúde. "Quero expressar meus sentimentos aos seus familiares e amigos nesse momento de dor". O reitor da UFBA, professor João Carlos Salles, também lamentou a morte de Santos. "A UFBA, mais uma vez, está de luto. Expresso nossos sentimentos mais profundos." Roberto Santos deixa seis filhos. Ainda não há informações sobre dia e local do seu sepultamento.