Ex-ministros, advogado de Lula e demitido por Bolsonaro são anunciados na equipe de transição

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), anunciou nesta quarta-feira (16) novos nomes para integrar a equipe de transição de governo.

Entre eles estão ex-ministros, o advogado do ex-presidente Lula (PT) na Lava Jato, Cristiano Zanin, e o ex-presidente do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) Ricardo Galvão, demitido por Jair Bolsonaro (PL).

Coordenador do grupo, Alckmin anunciou mais 16 equipes de transição: agricultura; ciência e tecnologia; comunicação social, desenvolvimento agrário; desenvolvimento regional; justiça e segurança pública; meio ambiente; minas e energia; pesca; povos originários; previdência social; relações exteriores; saúde; trabalho; turismo e transparência/integridade/controle.

Há ao menos 24 ex-integrantes da Esplanada nos nomes anunciados, entre eles, Alexandre Padilha (PT), da saúde, Marina Silva e Izabella Teixeira, ambas do meio ambiente.

O deputado André Janones (Avante-MG), que atuou intensamente nas redes sociais durante a campanha de Lula, também foi escalado para participar da transição, esse no grupo de comunicação.

Demitido pelo atual presidente, Galvão atuará no grupo de ciência e tecnologia. O ex-diretor foi acusado pelo presidente de estar "a serviço de alguma ONG". Na época, Bolsonaro disse que os dados de desmatamento no país foram "espancados" para atingir a imagem do Brasil e seu governo.

Depois de receber críticas, Galvão disse, em entrevista à Folha de S.Paulo, que ele até poderia ser demitido, mas que o instituto era cientificamente sólido o suficiente para resistir aos ataques do governo.

Governadores do Norte e Nordeste, próximos ao presidente eleito, também participarão das equipes técnicas. Helder Barbalho (MDB), por exemplo, governador reeleito do Pará, faz parte do grupo de desenvolvimento regional. Ex-ministro da Pesca, ele acompanha Lula na COP27.

O governador do Ceará e senador eleito Camilo Santana (PT) acompanha Barbalho na mesma equipe. Já Paulo Câmara (PSB), governador de Pernambuco, integra equipe de transparência.

Também na equipe de transparência está o procurador da Fazenda Jorge Messias, o Bessias, que se tornou conhecido com o vazamento do áudio de uma conversa entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Senador eleito e cotado para titular da Justiça, Flávio Dino (PSB), ex-governador do Maranhão, estará no grupo temático de Justiça e segurança pública. O político é apontado como possível nome para assumir o Ministério da Justiça, embora muitos avaliem que seja preciso manter políticos de expressão e experiência no Senado, onde o PL, partido de Jair Bolsonaro, conseguiu se transformar na maior bancada da Casa.

É também desta equipe que fazem parte advogados do grupo Prerrogativas, críticos do lava-jatismo e próximos a Lula, como Marco Aurélio Carvalho, e o próprio advogado do petista, Zanin.

Ele é um dos nomes citados por aliados do mandatário eleito como cotado para uma das vagas que abrirá no STF (Supremo Tribunal Federal) no próximo ano.

Andrei Passos, delegado da PF (Polícia Federal) responsável pela segurança do presidente eleito durante a campanha, também fará parte desta equipe. De acordo com Alckmin, polícias a nível federal, estadual e municipal foram convidadas para participar das discussões.

A relação dos novos nomes também apresenta senadores que integraram a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid, que se tornou o principal ponto de desgaste ao governo Bolsonaro durante o enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), vai integrar o grupo técnico de Justiça e Segurança Pública. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), estará no colegiado que vai tratar de Desenvolvimento Regional, assim como seu colega de comissão, Otto Alencar (PSD-BA). O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), já havia sido escalado para o conselho político da transição.

Outro grupo técnico que concentra ex-ministros é o da Agricultura, que terá, como por exemplo, Kátia Abreu (PP-TO), ministra de Dilma, e Luiz Carlos Guedes, que atuou no governo Lula. Esse grupo técnico teve a primeira reunião na tarde desta quinta-feira (16), com a participação de dois de seus coordenadores, o senador Carlos Fávaro (PSD-MT) e Neri Geller.

Na saída, ambos foram questionados sobre as conversas gerais com o agronegócio, de uma maneira geral, tendo em vista que o setor foi um dos motores da candidatura de Bolsonaro.

"O pessoal está baixando a poeira e está começando a vir conversar. É o caminho: pacificar", afirmou Geller.

Alckmin também anunciou os nomes que vão compor o grupo técnico das Relações Exteriores. Integram a lista ex-chanceleres dos governos Lula e Michel Temer. O principal nome é Celso Amorim, chanceler durante o governo Itamar Franco e nos oito anos da gestão do petista. Amorim depois foi ministro da Defesa de Dilma.

Outro ex-chanceler é Aloisio Nunes Ferreira, senador pelo PSDB, que foi o ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer. Também faz parte do grupo técnico, entre outros, o ex-ministro da Educação e ex-senador Cristovam Buarque, que no passado deixou o PT por divergência com a cúpula do partido e com os rumos do governo Lula.

Também foram divulgados os nomes do grupo técnico dos Povos Originários. Figuram na lista dos integrantes a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR) e a deputada federal eleita Sônia Guajajara (PSOL-SP).