Ex-morador de rua distribui alimentos, roupas e kits de higiene no Centro do Rio

Há seis anos, a realidade de Leo Motta era bem diferente: ele morava nas ruas do Rio e era dependente químico. Quatro anos depois, conseguiu se reerguer. Em 2020, Leo se tornou conselheiro da Secretaria municipal de Assistência Social do Rio, passando a ajudar pessoas em situação de rua, e lançou seu primeiro livro, “Há vida depois das marquises — sonhos”.

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Atualmente, o escritor se dedica a ajudar pessoas que se encontram na mesma condição pela qual ele já passou. Duas vezes ao mês, com apoio do Coletivo Quântico, Leo promove uma ação na Cinelândia, Centro do Rio, em prol da população em situação de rua. São doados alimentos, kits de higiene, cobertores, roupas e sapatos.

— O projeto surgiu em dezembro de 2019 na Cinelândia, mesmo lugar onde em 2016 eu passei o Natal em situação de rua sem nenhuma palavra de felicitação, muito menos um abraço. Então eu senti essa necessidade de voltar aqui para entregar a essas pessoas todo o sentimento que eu não recebi. A rua é casa de muitos, mas não deveria ser de ninguém — diz o escritor.

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No início, o projeto distribuía almoço, mas depois se expandiu e também começou a oferecer o café da manhã.

— O café é a primeira refeição do dia, então é muito importante. Quando eu estava nas ruas, muitas vezes o meu primeiro alimento vinha das lixeiras — relembra Motta.

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Auxílio terapêutico

Durante as ações, há participação de agentes da Secretaria de Assistência Social do Rio, que oferecem abrigo às pessoas em situação de rua, e do Coletivo Quântico, que reúne diversos terapeutas, que oferecem tratamentos como Reiki e Johrei.

— O objetivo é, além de ofertar alimento, trazer uma luz para a vida das pessoas. Aqui eu aprendo a desenvolver a minha humanidade, sensibilidade e compaixão pelo outro. A gente ganha muita sabedoria nesse contato. Elas são vistas como se fossem preguiçosas e não quisessem trabalhar, mas às vezes a vida dificulta o caminho do outro de uma maneira que ele se sente mais acolhido na rua do que dentro de uma casa — destaca Elaine Keiko, terapeuta integrativa do Coletivo.

A depressão foi o motivo para David Luiz, de 58 anos, parar nas ruas. Ele trabalhava como digitador e morava em um apartamento com a esposa, assassinada em 2012. Após o ocorrido, David perdeu o emprego e vendeu a casa que morava. Com isso, começou a trabalhar como camelô, mas a renda era insuficiente para pagar um aluguel. Ele ressalta a importância de ter apoio.

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— Ninguém consegue viver sozinho, então temos que ajudar uns aos outros. Para poder sair daqui, precisa haver um apoio. Expulsar e ignorar alguém feito um bicho, sendo que nem bicho é tratado assim, não vai dar jeito em nada — desabafa David, um dos beneficiados pelo projeto.

Um conflito familiar fez com que Luciana Batista, de 46 anos, ficasse nas ruas. Ela era agredida, verbalmente e fisicamente, pelo filho. Em uma das brigas, decidiu sair de casa. Para ela, que também é ajudada pelo projeto, a parte mais difícil de viver nas ruas é a falta de empatia das pessoas.

— A sociedade acha que não somos nada, mas somos pessoas — lamenta Luciana.

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*Estagiária sob supervisão de Leila Youssef

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