Ex-número 2 de Anderson diz em depoimento que não recebeu orientações sobre como agir no cargo

Ex-número dois de Anderson Torres na Secretaria Público do Distrito Federal, Fernando de Sousa Oliveira afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que seu superior viajou aos Estados Unidos sem deixar uma "diretriz especifica" de como ele deveria agir no cargo, em meio à manifestação golpista que estava marcada para o dia 8 de janeiro. Oliveira afirmou ainda que Torres não o apresentou ao governador Ibaneis Rocha e nem aos comandantes das forças policiais.

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Oliveira prestou depoimento à PF na quarta-feira, em Brasília. Ele relatou que, após ser convidado em dezembro por Torres para assumir o cargo de secretário-executivo, tomou posse no dia 3 janeiro e iniciou as atividades de fato no dia 4. Oliveira afirmou que o secretário avisou no dia 5 que viajaria aos Estados Unidos, mas que antes deixaria pronto o planejamento de segurança para os atos, que já estavam previstos.

O Plano de Ações Integradas foi aprovado por Torres no dia 6 de janeiro, dois dias antes da manifestação. O documento estabelecia as funções que cada órgão deveria ter no protesto.

No depoimento, Oliveira afirmou que "não foi deixada nenhuma diretriz especifica" para ele que e que ficou combinado apenas que ele seria "acionado em caso de necessidade". Além disso, ele relatou que Torres não o apresentou "aos comandantes das forças policiais do DF e nem ao governador do DF antes de viajar aos Estados Unidos".

O ex-secretário-executivo ainda ressaltou que Torres viajou antes do início oficial das suas férias, programadas para o dia 9, e que por isso ele ainda "era o titular da pasta até o dia 08/07/2023, dia da invasão da Praça dos Três Poderes".

Inteligência não captou tamanho dos atos

No depoimento, o ex-secretário-executivo afirmou que os relatórios de inteligência eram feitos principalmente por redes sociais e que não conseguiram captar a dimensão da manifestação golpista.

De acordo com ele, havia informações de uma "possível manifestação com ânimos exaltados mas que não havia confirmação concreta por parte da inteligência sobre o tamanho e se a manifestação ocorreria e em quais proporções"

Oliveira também disse que havia "poucas informações sobre radicais sendo sua grande maioria advinda de rede social e não de acompanhamento in loco realizado por policiais de inteligência".

No dia 8, uma hora antes do ataques às sedes dos Três Poderes, Oliveira encaminhou um áudio a Ibaneis afirmando que estava um "clima bem tranquilo" na manifestação.

Ibaneis, Torres, Oliveira e o ex-comandante da Polícia Militar Fabio Augusto são investigados em um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar uma possível omissão.

Torres também seria ouvido pela PF na quarta-feira, mas preferiu ficar em silêncio até ter acesso a detalhes da investigação. Um novo depoimento deverá ocorrer na segunda-feira.