Ex-número 2 da Saúde culpa vírus no computador por demora na resposta da Pfizer

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Manhattan, New York. December 23, 2020. A woman wearing a mask and a face shield walks in front of Pfizer headquarters in Midtown.
Elcio Franco, número dois de Eduardo Pazuello, informou à Pfizer que estava com dificuldades de acessar os dados sobre a vacina (Foto: Getty Images)
  • Secretário do Ministério da Saúde afirmou que vírus na rede de computadores impediu que ele acessasse documentos com dados sobre a vacina

  • Email continha nota oferta da Pfizer para o Brasil

  • Elcio Franco vai depor na CPI da Covid, mas se recupera da covid-19

O número dois do Ministério da Saúde durante a gestão de Eduardo Pazuello, o coronel Elcio Franco, mandou um e-mail para a Pfizer em novembro de 2020 para explicar a demora em responder as propostas feitas pela empresa: havia um vírus na rede de computadores do Ministério.

O conteúdo do email foi revelado pela TV Globo. Em 10 de novembro, Elcio Franco escreveu à Pfizer: “Informo que, em virtude de um problema de vírus em nossa rede do Ministério da Saúde, estamos com uma série de dificuldades de conexão em rede e abertura de e-mails, o que dificultou ou até impediu o acesso aos arquivos enviados até a presente data, assim como sua respectiva análise”.

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O vírus teria feito com que o então secretário não recebesse os anexos, que tinham dados logísticos sobre a vacina da Pfizer. Em 9 de novembro, a empresa havia enviado documentos com as informações sobre o imunizante.

"É com imensa alegria que compartilho a notícia que acaba de ser divulgada globalmente pela Pfizer hoje. Dados da primeira análise realizada do estudo de fase 3 da nossa potencial vacina contra a COVID-19 indicam uma taxa de eficácia acima de 90%, 7 dias após a segunda dose. Isso significa que a proteção é alcançada 28 dias após o início da vacinação, que consiste em um esquema de 2 doses, sendo que não houve nenhuma preocupação séria de segurança”, escreveu um dos diretores da empresa.

Além dos dados sobre a vacina, o email também tinha uma proposta atualizada para a compra de vacinas pelo Brasil. O diretor pediu que a confirmação da compra fosse feita com urgência, já que outros países estavam interessados no imunizante.

“Devido às notícias de hoje, a procura de doses está aumentando, e se não respondermos em breve, outros países que estão na iminência de fechar um acordo estão propensos a solicitar mais doses, o que incluiria as que estão agora alocadas para o Brasil no primeiro semestre. Por isso nossa urgência”, informou o diretor da Pfizer no email do dia 9.

No dia 11, dia seguinte à reclamação de Franco, o então presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo, enviou uma nova oferta ao governo brasileiro.

Elcio Franco foi convocado para depor na CPI da Covid no Senado. No entanto, ele se recupera da covid-19 e não tem data para comparecer.

Emails sem resposta em agosto 

A CPI da Covid recebeu uma série de e-mails enviados pela Pfizer que comprovam quanto a empresa insistiu para negociar com o governo brasileiro. Os documentos foram entregues em caráter sigiloso, segundo a Folha de S. Paulo.

Tratam-se de, pelo menos, 10 emails, enviados entre 14 de agosto e 12 de setembro – data em que o presidente mundial da Pfizer enviou uma carta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Apesar das tentativas, a empresa não recebeu respostas conclusivas do Ministério da Saúde.

As mensagens são sigilosas porque a Pfizer e o governo federal firmaram um termo de confidencialidade logo no início das negociações, em julho de 2020.

Nas mensagens, a Pfizer pedia uma resposta formado do governo sobre a oferta de vacinas que havia sido apresentada. De acordo com os documentos, cujo conteúdo foi acessado pela Folha, em 14 de agosto, a empresa ofereceu duas opções de compra, uma de 30 milhões de doses e outra de 70 milhões de doses, cuja validade era até 29 de agosto.

O CEO da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, já havia revelado diversas propostas feitas pela empresa durante o depoimento na CPI da Covid no Senado.

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