Ex-papa Bento XVI vai armar defesa jurídica para acusação de encobrimento de abuso

Imagem de arquivo: O ex-papa Bento XVI no aeroporto de Munique

BERLIM (Reuters) - O ex-papa Bento XVI planeja se defender de uma ação civil movida em um tribunal alemão por um homem que o acusa de ajudar a encobrir abusos históricos, disse um porta-voz do tribunal nesta terça-feira.

Na mais recente reviravolta em um escândalo de longa data envolvendo a Igreja Católica, uma chamada ação declaratória foi movida em junho em nome de um homem, então com 38 anos, que disse ter sido abusado por um padre quando criança.

A denúncia tem como alvo um padre, identificado como Peter H., e o ex-papa Bento XVI, que foi arcebispo de Munique e Freising entre 1977 e 1982, bem como seu sucessor, o cardeal Friedrich Wetter, e outro oficial da Igreja.

A Arquidiocese de Munique e Freising se recusou a comentar um caso em andamento.

Um porta-voz do tribunal de Traustein confirmou uma reportagem da agência de imprensa DPA dizendo que o ex-papa se defenderia por meio de um escritório de advocacia. A medida evita a chamada decisão padrão do tribunal.

Isso não significa que Bento XVI, agora com 95 anos, comparecerá no tribunal em sua defesa. Mas um porta-voz do tribunal disse que o tribunal pode exigir que os réus compareçam.

Os réus têm até 24 de janeiro para responder à denúncia. Nenhuma data foi marcada para audiência.

Andreas Schulz, o advogado que apresentou o caso, disse que buscava estabelecer a culpabilidade, argumentando que a Igreja Católica e os réus tinham o dever cristão de reconhecer as injustiças cometidas.

"Se não o fizerem, o dano à reputação aumentará e a Igreja Católica acelerará a erosão da fé", disse Schulz, confirmando comentários que fez à DPA.

Um relatório publicado em janeiro sobre abuso sexual na arquidiocese de 1945 a 2019 acusou Bento XVI de não agir contra clérigos em quatro casos quando era arcebispo de Munique.

Bento XVI, que renunciou ao cargo de pontífice em 2013, reconheceu que ocorreram erros no tratamento dos casos enquanto ocupou esse cargo e pediu perdão. Seus advogados argumentaram que ele não era o culpado direto.

(Reportagem de Madeline Chambers)