Ex-paquita Tatiana Maranhão fala em libertação após diagnóstico de doença crônica e se prepara para cirurgia

A ex-paquita Tatiana Maranhão não esperava que, ao compartilhar o diagnóstico de lipedema nas redes sociais, pudesse atrair tanta curiosidade do público. Trata-se de uma doença crônica inflamatória do tecido adiposo que se caracteriza por um acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e braços.

— Eu fiquei feliz com a repercussão. Fiz o post quando saí do médico, muito emocionada. É libertador dar nome ao que você tem e entender que é uma questão que vai além do seu querer — diz ela, que convive com o problema desde a adolescência. — Quando menstruei, comecei a sentir que tinha um excesso de gordura nas pernas. Até conhecer o dr. Fábio Kamamoto (especialista na doença) recentemente e receber o diagnóstico, eu achava que era celulite. Sempre tive uma alimentação legal e venho de uma família com disciplina, que pratica atividade física. Mas não conseguia tirar essa gordura.

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Tatiana explica que existe um tratamento conservador, que inclui mudanças na alimentação, atividade física, meia de compressão, drenagem linfática etc. Há também a possibilidade de cirurgia, que foi a sua opção. A operação está marcada para 5 de janeiro. Ela pretende ir mostrando o antes e o depois nas redes sociais:

— É como se fosse uma lipoaspiração. O cirurgião tira os nódulos de gordura doentes. Onde você faz isso não volta mais. É cientificamente comprovado. O SUS ainda não cobre esse tipo de tratamento. Eu vou ter que pagar a minha operação, porque o plano de saúde também não cobre. Este ano, a Organização Mundial da Saúde reconheceu lipedema como doença. A gente precisa divulgar isso. Diferente do que as pessoas pensam, não é só gordo que tem a doença. Eu sou magra e tenho. É algo crônico que tende a piorar com o tempo se não cuidar. Com o tratamento conservador vai estagnar, mas não vai resolver.

Tatiana, que foi paquita da Xuxa dos 10 aos 14 anos, sofreu com essa condição na época:

— Isso para mim foi um drama, uma questão grande na adolescência. As pessoas queriam ser paquitas. Existia uma demanda. Nós éramos como as blogueiras de hoje em dia. Havia uma preocupação estética muito grande, uma busca pela perfeição. Acho que naquela época isso era muito maior, porque a gente nem discutia o corpo da mulher como hoje. Estávamos numa sociedade bem mais machista. As pessoas cobravam muito de mim. Com meus 13 anos, comecei a sofrer bastante e não achava a resposta. Ia a vários médicos. Tomei muito remédio para emagrecer achando que resolveria. Nada resolveu até agora, que estou com 45 anos. Mas eu nunca desisti de mim. Com internet e a medicina avançada, tentei me informar. Pesquisei e descobri que existia lipedema. Comecei a me debruçar mais sobre o tema e me identifiquei com os depoimentos de outras mulheres, até chegar a esse médico.

Ela destaca o julgamento de outras mulheres.

— Nunca tive um namorado que comentasse algo sobre a minha perna. Namorei bastante e nunca tive problema com isso. Sempre tive autoestima alta. As mulheres é que são as maiores inimigas das mulheres. Quem comenta é mulher. Isso é ruim demais. A gente não precisa disso. Temos que nos ajudar. Eu virei para Xuxa e falei: "Enfim, descobri. Vou operar a perna". E ela me respondeu: "Tati, acho você linda, não vejo nada na sua perna. Mas, se te incomoda, você tem que resolver". Custa ser assim? Não custa. Tem mulher que fala: "Nossa, você deveria fazer alguma coisa na sua perna, hein?". Não tem um homem que fale isso. As mulheres precisam parar de apontar e se amar mais — afirma Tatiana, que hoje é assessora de Xuxa e mãe de dois meninos.