Ex-PM que integrava grupo de matadores é morto em troca de tiros com policiais civis

Carolina Heringer
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RIO - O ex-policial militar Anderson de Souza Oliveira, conhecido como Mugão, foi morto nesta sexta-feira durante uma operação da Delegacia Especializada de Armas, Munições e Explosivos (Desarme) na comunidade da Sefa, em Ramos, na Zona Norte do Rio. Mugão era acusado de integrar o grupo de matadores de aluguel Escritório do Crime.

Mugão, ex-cabo da Polícia Militar, foi baleado durante a ação, que faz parte da Força-tarefa das delegacias especializadas no combate às milícias. Segundo informações da Polícia Civil, o criminoso efetuou disparos de arma de fogo contra os policiais, mas acabou baleado. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, mas não resistiu.

Com Mugão foram apreendidos uma pistola, um revólver e uma mochila com anotações sobre cobranças de aluguéis. O criminoso estava foragido desde junho do ano passado, quando a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Tânatos, que tinha Mugão como um dos alvos.

De acordo com as investigações, Mugão e seus comparsas tinham estreita ligação com o ex-capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em confronto com a polícia da Bahia em fevereiro do ano passado. O grupo chegou a ser investigado pelo atentado contra a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

Expulso da PM

Mugão foi expulso da PM em agosto de 2014, acusado de fazer parte de uma milícia que tentava se instalar na favela do Quitungo, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio. O então cabo foi denunciado, numa série de depoimentos à Corregedoria da PM e à Polícia Civil, por seu principal rival na guerra pelo controle da região, o também ex-cabo da PM Márcio Gabriel Simão, o Marcinho do Quitungo. Simão apontou Mugão como o responsável pelo atentado que sofrera em março de 2011 num conjunto habitacional num dos acessos à favela. Na ocasião, seu carro foi fuzilado, mas ele conseguiu sobreviver.

Mugão chegou a responder, na Justiça, por outro assassinato relacionado à guerra de milícias: segundo a denúncia do Ministério Público, o ex-cabo integrava um grupo de homens que saltou de uma Kombi na frente de um bar e fuzilou o cabo Anderson Luiz de Assis Santos, em outubro de 2011. Na ocasião, Marcinho do Quitungo também estava no local e foi ferido. Mugão ficou três anos preso pelo crime.

No entanto, apenas duas semanas após ser excluído da PM, Mugão foi absolvido da acusação do homicídio pelo júri popular, após testemunhas voltarem atrás em seus depoimentos. O MP recorreu da decisão, mas a absolvição foi mantida em segunda instância.

Em 2016, dois anos após ser solto, Mugão entrou na Justiça para voltar à PM, alegando que a acusação que embasou o processo administrativo que o expulsou foi a mesma do processo criminal em que terminou absolvido. Na época, o ex-PM entrou com o processo para ser reintegrado na Vara Única de Mangaratiba, cujo titular era o juiz Marcelo Borges Barbosa — investigado desde o ano passado pelo Tribunal de Justiça do Rio justamente por beneficiar PMs que tentam retornar à corporação. Apesar de ter ingressado com a ação no município da Costa Verde, Mugão havia afirmado, quando foi ouvido no processo administrativo que o expulsou, que morava na Zona Norte do Rio.

A decisão de Barbosa, entretanto, foi suspensa cinco meses depois pela 16ª Câmara Cível do TJ, que sustentou que "não se vislumbra aparente ilegalidade" no processo administrativo que expulsou Mugão da PM. Em abril do ano passado, Barbosa declinou da competência para julgar o caso e, hoje, o processo tramita na Auditoria de Justiça Militar.