Ex-policial que assassinou George Floyd é condenado a 22 anos de prisão

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Atmosphere at George Floyd Square at the corner of 38th Street and Chicago Avenue during the remembrance event on the 1 Year Anniversary of his death on May 25, 2021 in Minneapolis, Minnesota. Photo: Chris Tuite/ImageSPACE /MediaPunch /IPX
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  • Ele foi sentenciado um ano e três meses depois do crime

  • No ano passado, ele foi liberado após pagar fiança de US$ 1 milhão

  • Onda de manifestações antirracistas ajudaram a dar visibilidade ao caso na Justiça

O assassino de George Floyd, o ex-policial Derek Chauvin, de 45 anos, foi sentenciado nesta sexta-feira (25) a 22 anos e meio de prisão. Ele matou o homem negro em maio do ano passado ajoelhando em seu pescoço por mais de nove minutos.

Chauvin já se encontrava detido desde meados de abril, quando foi condenado pela morte de Floyd, em um centro penitenciário do estado de Minnesota, nos Estados Unidos. Antes, ele já havia sido preso pelo crime, mas saiu depois de pagar uma fiança de US$ 1 milhão.

A sentença foi dada com base em três acusações feitas contra o ex-policial: homicídio em segundo grau, homicídio em terceiro grau e homicídio culposo em segundo grau.

"A sentença não é baseada em emoção ou na opinião pública. Mas quero destacar a dor que a família de Floyd está sentindo", disse o juiz Peter Cahill, que deu a sentença.

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O procurador-geral assistente de Minnesota, Matthew Frank, disse durante a audiência que o ex-agente usou força desproporcional contra Floyd, enquanto este implorava por sua vida, repetindo: “não posso respirar”. "Floyd foi tratado com crueldade. Todos vimos", declarou o procurador. Frank também acrescentou que o crime foi testemunhado por crianças e jovens de 9 a 17 anos, o que é considerado um agravante.

A defesa de Chauvin, representada pelo advogado Eric Nelson, rebateu dizendo que a condenação teria sido influenciada pela polarização social que o país enfrentava e que a Justiça não pode ser contaminada pela opinião pública. "Minha esperança sincera é a de que, quando a poeira baixar, o impacto na comunidade traga um debate de princípios e deixe um efeito positivo em Minneapolis e nos Estados Unidos”, disse.

Nelson é conhecido por defender policiais acusados de má conduta. Horas antes da audiência, tentou adiar a sessão, afirmando que a Promotoria teria ameaçado testemunhas e que havia muita influência midiática no caso.

O assassino de George Floyd, o ex-policial Derek Chauvin, de 45 anos, foi sentenciado nesta sexta-feira (25) a 22 anos e meio de prisão.

In this image taken from video, former Minneapolis police Officer Derek Chauvin addresses the court as Hennepin County Judge Peter Cahill presides over Chauvin's sentencing, Friday, June 25, 2021, at the Hennepin County Courthouse in Minneapolis. Chauvin faces decades in prison for the May 2020 death of George Floyd.  (Court TV via AP, Pool)
Derek Chauvin em depoimento na audiência em que foi proferida sua sentença. Foto: Court TV via AP, Pool

Os procuradores haviam pedido uma pena de 30 anos de prisão para o ex-policial, argumentando que ele "cometeu um assassinato brutal, traumatizou a família da vítima e gerou um choque na consciência da nação". Era esperado, inclusive, que o juiz Peter Cahill, do condado de Hennepin, aplicasse uma sentença ainda maior.

Quatro fatores agravantes apresentados pela Promotoria foram acatados pelo juiz em maio. O primeiro seria o abuso de sua posição de confiança e autoridade enquanto policial. O segundo, que foi dado a Floyd um tratamento particularmente cruel. O terceiro ponto é a presença de crianças e adolescentes no local do crime. E o último é a participação de outros três agentes.

A morte de Floyd causou uma comoção em todos os Estados Unidos. Uma onda de protestos antirracistas pode ser vista no país e em outras partes do mundo. Acredita-se que a pressão popular permitiu que Chauvin fosse devidamente processado e julgado, o que abre um precedente importante na Justiça norte-americana, conhecida por deixar a violência policial impune.

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