Ex-prefeito de NY Michael Bloomberg oficializa pré-candidatura à Casa Branca

Michael Bloomberg em 17 de novembro

O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg anunciou neste domingo (24) que é candidato à indicação democrata para a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2020.

"Sou candidato à presidência para derrotar Donald Trump e reconstruir a América", disse o bilionário de 77 anos em seu site.

O anúncio põe fim à especulação sobre as intenções de Bloomberg, que há semanas insinua sua intenção de concorrer às primárias do Partido Democrata, das quais o rival de Trump sairá para as eleições presidenciais.

E destaca a dinâmica da luta democrata apenas três meses antes do início as primárias do partido.

"Não podemos suportar as ações imprudentes e antiéticas do presidente Trump por mais quatro anos", disse o ex-prefeito de Nova York entre 2002 e 2013.

"Representa uma ameaça existencial ao nosso país e aos nossos valores. Se vencer a presidência novamente, poderemos nunca mais nos recuperar dos danos".

Com uma fortuna pessoal de US$ 50 bilhões, Bloomberg ingressa em uma disputa com outros 17 pré-candidatos, com o ex-vice-presidente Joe Biden liderando, segundo pesquisas, seguido por Elizabeth Warren, Bernie Sanders e Pete Buttigieg.

Na semana passada, a Bloomberg havia preparado sua candidatura enviando os documentos para o registro de um comitê chamado "Mike Bloomberg 2020", que é obrigatório para os candidatos a fim de validar suas despesas de campanha.

- Resistir à "intolerância" -

Bloomberg tem um perfil de centro, que de acordo com analistas poderia conquistar simpatizantes do moderado Biden.

Alguns acreditam que sua imagem de um homem que alcançou sua posição graças a seus esforços e seu apoio à luta contra as mudanças climáticas faz dele a melhor aposta contra Trump.

Outros à esquerda do partido que simpatizam com Warren ou Sanders o veem como o tipo de milionário que gostaria de impor pesados impostos para reduzir a desigualdade.

"Como candidato, reunirei uma coalizão ampla e diversificada de americanos para vencer", indicou Bloomberg, acrescentando que "resistiria" à "intolerância" de Trump.

A assessora da Casa Branca Kellyanne Conway disse neste domingo que a entrada da Bloomberg na corrida mostra que "o território democrático é decepcionante".

"Estamos prontos. (...) Acho que o presidente Trump estará pronto", disse à CBS.

Bloomberg se vangloria de algumas de suas realizações como prefeito de Nova York, que teve que reerguer após os ataques de 11 de setembro de 2001. Além disso, destaca ter aprovado a proibição de fumar em bares e restaurantes.

Também afirma que está na melhor posição para enfrentar Trump em questões de violência com armas e mudança climática.

Na semana passada, pediu desculpas por ter apoiado a polêmica política policial de "deter e registrar", que desproporcionalmente afetou os nova-iorquinos negros e latinos durante sua gestão como prefeito.

- Mudanças editoriais -

A agência de notícias criada pelo ex-prefeito divulgou neste domingo as inúmeras mudanças que fará em sua linha editorial para se adaptar à nova situação: cobrir seu proprietário como candidato à indicação democrata.

"Não faz sentido dizer que cobrir essa campanha presidencial será fácil", relatou John Micklethwait, editor-chefe da agência de notícias financeiras, em um e-mail para a equipe que citou a política de não escrever sobre a própria empresa ou seus concorrentes diretos.

Micklethwait apontou algumas mudanças que serão implementadas, mas enfatizou que as decisões durante a campanha serão tomadas caso a caso, em vez de seguir um manual de regras.

"A áreal em que Mike teve mais contato com o Editorial é a Bloomberg Opinion: nossos editores refletiram suas opiniões", escreveu Micklethwait. Portanto, a empresa encerrará sua política editorial não assinada.

No e-mail, Micklethwait acrescentou que eles não investigarão a família ou as fundações da Bloomberg - o mesmo aconteceria com seus rivais democratas -, mas publicarão ou resumirão trabalhos de investigação sobre todos os candidatos democratas.

"A Bloomberg News já lidou com esses conflitos antes", disse o editor, observando a campanha de Bloomberg à prefeitura de Nova York que forçou a agência a adotar políticas de cobertura semelhantes.