Ex-premier e hoje adversário de Putin deixa a Rússia após criticar a guerra na Ucrânia

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O ex-premier da Rússia Mikhail Kasyanov, que ocupou o cargo entre 2000 e 2004 e se tornou um algoz do presidente Vladimir Putin, confirmou ter deixado o país, depois de fazer pesadas críticas à invasão da Ucrânia.

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Em mensagem enviada à AFP, Kasyanov afirmou que está no exterior, em um local não revelado, mas espera poder retornar à Rússia “brevemente”. Ele também não falou sobre os motivos da viagem, algo que integrantes da direção de seu partido, o pequeno Parnas, também não souberam explicar.

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Em meados de maio, Kasyanov deu uma dura entrevista à rede alemã Deutsche Welle (DW), chamando a invasão russa da Ucrânia de “brutal”, afirmando que a confiança de Putin na guerra estava diminuindo e acusando o comando militar de passar informações enganosas ao presidente sobre o andamento do conflito.

— A reação do sr. Putin e seu discurso foram absolutamente fracos — declarou Kasyanov à DW, considerando que ele “já começou a perceber que estava perdendo a guerra”. — Trabalhei com ele há 20 anos. Era uma pessoa completamente diferente. Era uma situação completamente diferente então. Tínhamos um Parlamento, um Parlamento independente, mídia independente, um Judiciário. Putin destruiu todos os aspectos de um Estado democrático e agora temos um regime absolutamente autoritário, que está gradualmente mudando para um regime totalitário.

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Na mesma entrevista, disse que o presidente havia mudado “de forma drástica” nessas últimas duas décadas no poder.

Kasyanov deixou o governo em 2004, após divergências sobre a política econômica da Rússia. Pouco depois, se juntou à oposição, e chegou a se lançar à Presidência em 2008, mas a candidatura foi barrada pelas autoridades eleitorais, sob alegação de irregularidades nas assinaturas de apoio. Mesmo assim, seguiu como uma das principais vozes contra o governo Putin — agora, se soma aos muitos dissidentes que deixaram a Rússia nos últimos anos.

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