Ex-presidente da Bolívia denuncia atentado contra sua saúde em carta enviada da prisão

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A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Anez, fala com seus advogados de uma cela de prisão em 13 de março de 2021

A ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez denunciou nesta terça-feira (23) que sua saúde está sendo ameaçada pela prisão preventiva que cumpre após ser acusada de participar de um suposto golpe de Estado contra o ex-presidente Evo Morales em 2019.

Jeanine, que desde quinta-feira passada sofre de problemas de saúde devido à hipertensão, considerou que o Estado está disposto a "arriscar" sua vida mantendo-a atrás das grades e não transferindo-a para um centro médico conforme solicitado, em carta escrita de próprio punho na prisão.

“Não confio nos médicos do governo. Eles fazem parte do sistema de abusos e repressão e já demonstraram que estão dispostos a arriscar a minha vida, injetando em mim medicamentos de alto risco sem precauções ou estudos prévios, com o único propósito de me manter em suas celas”, argumenta a ex-presidente na carta. “Eles já tiraram minha liberdade e agora estão ameaçando minha saúde”, acrescentou.

Um representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Bolívia foi até o presídio no fim de semana para verificar as condições em que Jeanine se encontra, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto. A ex-presidente cumpre seis meses de prisão preventiva em uma prisão feminina em La Paz, sob supervisão médica, depois de ser transferida na madrugada de sábado de outra prisão da capital para monitorar sua saúde.

Jeanine Áñez é acusada dos crimes de rebelião, terrorismo e conspiração, com base na denúncia de uma ex-deputada oficial do Movimento pelo Socialismo (MAS), partido de Evo Morales. “Hoje, a ditadura me imputa crimes que não cometi. Nunca fui terrorista. Assumi a presidência por sucessão constitucional para pacificar a Bolívia. Não houve golpe, houve fraude”, argumenta em sua carta.

A ex-presidente interina foi presa há dez dias na cidade de Trinidad, capital do departamento amazônico de Beni (nordeste), por ordem do Ministério Público. Seus ex-ministros da Justiça e Energia também foram detidos e mandados de prisão foram emitidos contra outras personalidades, incluindo o líder cívico da rica região de Santa Cruz, o direitista Luis Fernando Camacho, governador eleito daquele departamento, além de militares de alta patente e policiais.

Jeanine Áñez era a segunda vice-presidente do Congresso quando assumiu a presidência boliviana, em novembro de 2019, devido à renúncia, juntamente com Morales, de todos os cargos anteriores na cadeia de sucessão.

apg/rs/am/lb