Ex-presidente da Bolsa, Raymundo Magliano Filho morre de Covid

Do Valor
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Ana Paula Paiva / Valor

SÃO PAULO — Grande incentivador da popularização do mercado acionário, o ex-presidente da Bolsa Raymundo Magliano Filho morreu nesta segunda-feira, aos 78 anos, vítima da Covid-19. Ele sofria de asma e estava internado há 50 dias no Hospital Albert Einstein, após ser infectado pelo novo coronavírus.

Magliano foi um dos grandes precursores do desenvolvimento do mercado financeiro no Brasil, à frente da primeira corretora da Bolsa de Valores brasileira, a Magliano Investe, fundada por seu pai.

Ele assumiu a Bolsa paulista, então Bovespa, em janeiro de 2001. Logo destacou-se pelo apoio dado ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ainda no início da campanha presidencial, em 2002, integrando depois o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, criado pelo governo Lula em 2003.

Uma das principais marcas de sua administração na Bolsa - entre 2001 e 2008, quando houve a fusão com a BM&F - foi o esforço de popularização do mercado acionário.

Foi também na sua gestão que o Novo Mercado, segmento de listagem com regras de governança ampliadas, decolou e que a Bolsa paulista se tornou a primeira do mundo a aderir ao Pacto Global da ONU.

Nascido em São Paulo em 12 de junho de 1942, Magliano conheceu cedo o mercado de capitais, trabalhando na corretora do seu pai, a Magliano S.A Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, a primeira inscrita na antiga Bovespa, fundada em 1927.

Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, foi um estudioso de temas humanísticos relacionados à filosofia, antropologia e ciência política.

A menina-dos-olhos de Magliano foi o projeto de popularização da bolsa, iniciado em meados de 2002. Juntamente com a melhora do mercado acionário ao longo de 2003 e 2004, o programa permitiu o crescimento dos negócios de pessoas físicas na bolsa, de 20% para 30% do volume negociado no mercado.

O número de clubes de ações também cresceu, passando de 442 para 910 em outubro de 2004. Atualmente, a Bolsa conta com mais de 3,2 milhões de contas, sendo mais de 2 milhões de investidores pessoa física.

Além de comandar a ex-Bovespa, Magliano foi também vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, de 1989 a 1995, e superintendente do Conselho de Jovens Empresários da Associação Comercial.

Foi ainda titular do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional de 1997 a 200 e participou do Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais - CEBRI. Tambêm integrou o Conselho Empresarial Brasil-Reino Unido.