Ex-presidente da Renault-Nissan, brasileiro Carlos Ghosn está em Beirute

O ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn deixa o escritório de seu advogado em Tóquio, 3 de abril de 2019

O ex-presidente da Renault-Nissan, o brasileiro Carlos Ghosn, que estava em prisão domiciliar no Japão, onde devia ser julgado em 2020 por má conduta financeira, chegou ao Líbano nesta segunda-feira (30), informaram à AFP fontes de segurança libanesa.

Ghosn chegou na segunda-feira ao aeroporto de Beirute, disse à AFP uma fonte de segurança, enquanto outra autoridade libanesa confirmou a informação, acrescentando "que a forma como deixou o Japão não está clara".

Segundo um jornal libanês que publicou a informação, o ex-presidente da Renault-Nissan-Mitsubishi, com tripla nacionalidade francesa, libanesa e brasileira, chegou a Beirute em um avião procedente da Turquia.

Carlos Ghosn foi preso ao chegar a Tóquio em 19 de novembro de 2018 e é acusado de abuso de confiança e ocultação de rendimentos.

Esteve detido por vários meses no Japão antes de ser libertado sob fiança pela primeira vez em março de 2019. Voltou a ser preso no começo de abril e novamente libertado sob fiança e em condições estritas no fim do mês.

Dese a sua prisão, seus advogados e familiares criticam as condições da prisão e a forma como a justiça japonesa conduz o processo.

"Carlos Ghosn não tenta se esquivar de suas responsabilidades, mas foge da injustiça do sistema japonês", explicou à AFP uma fonte ligada ao caso, que pediu para ter sua identidade preservada.

Elogiado durante anos no Japão por ter participado da renovação da Nissan, Carlos Ghosn denunciou recentemente um "complô" por parte da companhia para impedir um projeto de integração reforçada com a Renault.

As condições de liberdade do ex-magnata determinam que seus passaportes fiquem em poder de seus advogados, garantidores do respeito às normas impostas pela justiça.

Sua prisão domiciliar em Tóquio lhe permitia viajar dentro do Japão, mas o tempo de sua ausência de casa estava regulado.

Carlos Ghosn e seus advogados se queixavam que desde sua segunda libertação, em abril, foi constantemente seguido. Inicialmente acusaram oficiais do Ministério Público.