Ex-reitor do pré-seminário do Vaticano diz que nunca soube de abuso sexual

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A Basílica de São Pedro no Vaticano em 19 de novembro de 2020
A Basílica de São Pedro no Vaticano em 19 de novembro de 2020

"Nunca falaram comigo sobre abuso sexual", declarou nesta quinta-feira(19) o padre Enrico Radice, ex-reitor do pré-seminário São Pio X, durante o julgamento pelo suposto estupro de um menor na instituição que fica dentro no Vaticano.

O religioso, de 71 anos, foi convocado pelo tribunal da Santa Sé para depor sobre seu trabalho quando era reitor da residência para estudantes do pequeno Estado.

O 'Pré-seminário São Pio X', que não fica longe da atual residência do papa Francisco, era um internato para crianças e adolescentes que estudavam em uma escola particular no centro de Roma e participavam como coroinhas nas missas celebradas na Basílica de São Pedro.

"Ficava acordado até 23h00, 23h30 para ter certeza de que todos os alunos estavam em seus quartos. As paredes eram finas, dava para ouvir tudo. Se alguém conversasse, era exigido silêncio depois de um tempo", disse Radice, acusado de cumplicidade por ter protegido o suposto autor do abuso sexual.

"Ninguém me falou em abusos, nem alunos, nem professores, nem pais”, se defendeu o religioso.

Radice é processado junto com o padre Gabriele Martinelli, atualmente com 28 anos, acusado de ter abusado sexualmente de um menor quando ele era um jovem seminarista e residia no pré-seminário. Martinelli não compareceu à audiência desta quinta-feira.

A justiça vaticana decidiu iniciar o julgamento após a publicação do livro "Pecado Original" do jornalista italiano Gianluigi Nuzzi, no qual denuncia os abusos cometidos naquele seminário entre 2011-2012.

O acusado e a vítima tinham 14 e 13 anos quando ocorreram os fatos, que se prolongaram por cinco anos.

Martinelli, ordenado sacerdote em Como (norte da Itália) em 2017, não pode viajar para comparecer à audiência porque trabalha em um centro para idosos na Lombardia, norte da Itália, região classificada como "zona vermelha" devido ao alto contágio do coronavírus.

O jovem será interrogado pela justiça vaticana no dia 4 de fevereiro.

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