Ex-secretário de Segurança mexicano é julgado em Nova York

O mexicano Genaro García Luna, o arquiteto da guerra contra o crime organizado no México, está nesta terça-feira (17) no tribunal de Nova York para responder por cinco acusações, incluindo tráfico de drogas, que podem levá-lo a passar o resto de sua vida na prisão.

O julgamento do ex-secretário de Segurança do governo de Felipe Calderón (2006-2012), a mais alta autoridade mexicana a comparecer perante um tribunal dos Estados Unidos, começa com a seleção do júri no Tribunal Federal de Distrito do Brooklyn que determinará, ao longo de oito semanas, o destino deste engenheiro mecânico de 54 anos.

Vestindo um terno azul escuro, gravata cinza-azulada e camisa branca, García Luna, de cabelos completamente brancos, assistiu ao desfile de candidatos submetidos à sessão da juíza Peggy Kuo. Dos 191 pré-selecionados, apenas 12 membros e seis suplentes serão escolhidos para este julgamento que tem despertado pouco interesse da mídia norte-americana.

As desculpas para não ficarem presos quatro dias por semana durante dois meses no tribunal do Brooklyn foram muitas: desde trabalho a problemas para levar os filhos na escola ou motivos de parcialidade.

"Não sei como me sentiria como réu no tribunal", diz o selecionado número 14. "Ele está no tribunal", diz a juíza, "como ele se sente?", ela pergunta. "Ah, não saberia", disse a candidata.

García Luna enfrenta cinco acusações, incluindo participação em uma empresa criminosa, conspiração para traficar cocaína e mentir às autoridades quando solicitou a cidadania americana em 2018.

Segundo a Promotoria, aquele que foi diretor da Agência Federal de Investigações (AFI) entre 2001 e 2005 e posteriormente secretário de Segurança Pública (2006-2012) no governo de Felipe Calderón, ajudou o cartel de Sinaloa e seu chefe, Joaquín " Chapo" Guzmán, a introduzir 53 toneladas de cocaína nos Estados Unidos, tornando-se mais um "membro" da conspiração.

O "super policial" - a Polícia Federal estava sob seu comando - teria ajudado o cartel de Chapo, que protagonizou uma fuga notória quando era responsável pela Segurança, fazendo vista grossa para suas atividades, alertando-o sobre operações policiais, prendendo membros de cartéis rivais e colocando outros funcionários corruptos em posições influentes de poder em troca de "milhões de dólares".

Preso em 4 de dezembro de 2019 em Dallas, Texas, o nome de García Luna surgiu durante o julgamento de Chapo Guzmán (condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos) conduzido pelo mesmo juiz que agora o julgará: Brian Cogan.

O então membro do cartel de Sinaloa, Jesús "Rey" Zambada, contou no julgamento que entregou malas com entre seis e oito milhões de dólares em propinas ao então oficial em um restaurante entre 2005 e 2007.

- "Julgamento relevante" -

O julgamento de García Luna "é importante porque é o julgamento mais relevante que resultou até agora do julgamento de Chapo Guzmán", disse à AFP a jornalista investigativa Peniley Ramírez, autora do livro "Los milonarios de la guerra", referindo-se à guerra organizada pelo presidente Felipe Calderón (2006-2012), que deixou mais de 340.000 mortos, mergulhando o país em uma onda de violência sem precedentes.

"Será presidido pelo mesmo juiz, no mesmo tribunal, e será protagonizado por uma pessoa que foi ao mesmo tempo uma autoridade do México e um grande aliado do governo dos Estados Unidos", afirma.

A equipe de defesa, liderada pelo advogado César de Castro, quer focar sua estratégia nas "felicitações e prêmios" recebidos nos Estados Unidos por seus "esforços" no combate aos cartéis de drogas mexicanos e na "estreita relação" com as forças de segurança americanas.

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