Ex-secretário vai devolver relógio de luxo recebido do governo do Qatar

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ex-secretário do Ministério da Economia, Caio Megale disse à Folha de S.Paulo que devolverá um relógio de luxo da marca Cartier que ganhou em uma viagem oficial a Doha, no Qatar, em outubro de 2019.

Atualmente economista-chefe da XP, Megale escreveu nesta segunda-feira (6) uma carta ao Ministério da Fazenda pedindo informações dos procedimentos que deverá adotar para abrir mão do objeto.

O relógio foi entregue a ele em seu escritório em Brasília, por um ajudante de ordens da Presidência da República, no início de dezembro de 2019, pouco mais de um mês após a viagem.

Após receber o objeto, Megale acionou a Comissão de Ética Pública da Presidência para saber se poderia ficar com o presente. Relógios da marca Cartier tem valores na casa das dezenas de milhares de reais.

No ano passado, a comissão informou que o objeto não precisaria ser devolvido. Ainda assim, o economista afirma que optou por não fazer uso do relógio, que foi mantido em sua embalagem original.

Na última quarta-feira (1º), o Tribunal de Contas da União notificou a Comissão de Ética e disse que o recebimento de presentes caros extrapola "princípios da razoabilidade e da moralidade" pública.

Além de Megale, também receberam relógios na mesma viagem os ex-ministros bolsonaristas Gilson Machado (Turismo), Osmar Terra (Cidadania), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o ex-presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) Sergio Segovia Barbosa.

O tema entrou em evidência com a revelação em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de que em outubro de 2021 um militar que assessorava o então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) tentou desembarcar no Brasil com uma série de artigos de luxo na mochila, que supostamente seriam presentes do governo da Arábia Saudita a Jair Bolsonaro e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Como os bens não haviam sido declarados, eles foram apreendidos pela Receita Federal, cuja equipe de auditores avaliou os itens em 3 milhões de euros (cerca de R$ 16,5 milhões).