Ex-secretários de Defesa dizem que envolver Pentágono em disputa eleitoral é perigoso

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sem citar Donald Trump, dez ex-secretários de Defesa dos Estados Unidos fizeram uma carta aberta neste domingo (3) em que dizem que "o tempo de questionar os resultados [das eleições] já passou" e que "envolver os militares em disputas eleitorais atravessaria um território perigoso". Eles representam todos os ex-secretários ainda vivos que ocuparam o cargo -incluindo Mark Esper, que ocupou o cargo durante o governo do republicano até 9 de novembro, quando foi demitido após uma série de desentendimentos com Trump, como se opor ao uso de tropas militares para reprimir os protestos antirracismo em várias cidades do país, em junho. A carta foi publicada no no Washington Post, logo após o jornal revelar que o presidente Donald Trump tentou pressionar o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, a "encontrar" votos suficientes a seu favor. Na gravação de uma ligação telefônica, obtida pela publicação americana, o presidente repreendeu o secretário, depois tentou bajulá-lo, implorou por ajuda e o ameaçou com consequências criminais vagas. "Os governadores certificaram os resultados. E o colégio eleitoral votou. O tempo de questionar os resultados já passou; chegou o momento da contagem formal dos votos do colégio eleitoral, prevista na Constituição e no estatuto", diz o texto. Eles ainda dizem que, como ex-secretários, fizeram juramento de apoiar e defender a Constituição e não "a um indivíduo ou a um partido". Os antigos ocupantes do cargo ainda mencionam o atual secretário interino de Defesa, Christopher Miller, e dizem que ele e sua equipe devem "abster-se de quaisquer ações políticas que prejudiquem os resultados da eleição ou dificultem o sucesso da nova equipe." "Os esforços para envolver as forças armadas dos EUA na resolução de disputas eleitorais nos levariam a um território perigoso, ilegal e inconstitucional", continua o texto. "Tais medidas seriam responsáveis, incluindo potencialmente enfrentando penalidades criminais, pelas graves consequências de suas ações em nossa república." Assinam a carta Ashton Carter, Dick Cheney, William Cohen, Mark Esper, Robert Gates, Chuck Hagel, James Mattis, Leon Panetta, William Perry e Donald Rumsfeld. Trump travou uma batalha jurídica e midiática para impedir a vitória de seu opositor e tem pressionado para que o Congresso anule o resultado da eleição de novembro, após as tentativas de sua campanha nos tribunais foram rejeitadas. O republicano insiste no discurso de que o pleito foi fraudulento, mesmo sem apresentar provas. O novo Congresso dos EUA assumiu suas funções neste domingo e reelegeu a democrata Nancy Pelosi, 80, como presidente da Câmara dos Representantes. Isso acontece meio a um ambiente de incerteza política, com o controle do Senado a ser definido pela eleição na Geórgia na terça-feira (5), e de expectativa, com a promessa de uma sessão agitada no dia seguinte, na quarta-feira (6), quando o Congresso ratificará o resultado do Colégio Eleitoral.