Ex-secretário de Cabral e empresários são alvo de operação da PF no Rio

Alessandro Buzas/Futura Press

A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira (23), na Operação C’est fini, o ex-secretário da Casa Civil do Rio Régis Fichtner, o ex-presidente do DER (Departamento de Estradas e Rodagem), Henrique Ribeiro, e os empresários Georges Sadala e Maciste Granha de Mello Filho.

O empresário Fernando Cavendish está sendo conduzido coercitivamente e Alexandre Accioly, intimado a depor. Ambos foram chamados para explicar operações financeiras com Sadala.

Todos os suspeitos presos também foram identificados na contabilidade paralela de Luiz Carlos Bezerra, responsável por recolher e entregar dinheiro entre 2011 e 2016 a mando do ex-governador Sérgio Cabral, preso há um ano.

Ele controlava a movimentação de dinheiro em cadernos que foram apreendidos pela Polícia Federal na Operação Calicute. Usava apelidos para identificar os remetentes e destinatários dos recursos.

As investigações também apontam suspeitas de fraudes no uso de precatórios para pagamentos de dívidas fiscais no Rio. Fichtner era o coordenador do chamado Refis estadual que vigorou entre 2010 e 2012, no qual o Estado concedia isenção na multa e desconto nos juros sobre impostos em atraso.

O pagamento poderia ser feito com depósito em dinheiro, ou através de precatórios –título emitido pela Justiça quando o Estado é condenado a pagar certa quantia. A lógica do encontro de contas é simples: o governo abre mão da dívida e, ao mesmo tempo, quita o precatório.

Em 2014, a Folha de S.Paulo revelou que o comércio de precatórios do Rio se intensificou em razão do programa e movimentou mais de R$ 1,7 bilhão. Até indenizações a parentes de pessoas mortas pela polícia do Rio foram usadas para pagar, com desconto, dívidas de empresas com o Estado.

SUSPEITOS

Fichtner era o único secretário do “núcleo” da gestão Cabral que ainda não havia sido preso. Ele já havia sido citado em depoimento de Bezerra. Identificado o ex-secretário como “Alemão”, a contabilidade do “carregador de mala” indica o repasse de R$ 1,56 milhão ao ex-secretário.

Sadala, por sua vez, é mais um integrante do que ficou conhecida como a “gangue dos guardanapos” a ser alvo da Operação Lava Jato. A expressão é referência à foto feita numa festa em Paris em homenagem a Cabral, após receber a medalha da Legião d’Honneur do Senado francês.

Era também o único empresário da chamada “República de Mangaratiba” que ainda não havia sido alvo da Lava Jato no Rio.

Os papéis apreendidos com Bezerra indicam que o empresário entregou R$ 1,3 milhão ao grupo de Cabral, segundo a Procuradoria.

O empresário , também conhecido como “Gê”, é investidor do mercado financeiro e era sócio de um consórcio com contratos com o Estado.

Ele foi sócio do consórcio Agiliza Rio, responsável pelo programa “Poupa Tempo”, que reúne órgãos oficiais com o fim de facilitar a obtenção de documentos. A empresa recebeu R$ 132,5 milhões entre 2009 e 2015.

Além disso, é também representante do banco BMG no Rio, que negociava crédito consignado para servidores estaduais.

Maciste, vizinho de Cabral, também foi citado por Bezerra em depoimento. Ele disse que ia ao apartamento do empresário, sócio da Macadame, construtora que somou R$ 103 milhões em contratos na administração do peemedebista. Os cadernos apreendidos com Bezerra indicam o recolhimento total de R$ 552 mil com o empresário.

Ribeiro foi apontado pelo empresário Marcos Andrade Barbosa Silva, executivo da União Norte, como responsável por cobrar propina destinada a Cabral no DER. A empresa firmou acordo de leniência com o Ministério Público Federal.

O responsável por recolher a propina no DER era Lineu Castilho Martins, funcionário do DER. Na contabilidade de Bezerra, ele é identificado como “Boris”, “Russo” e “Kalashi”, e é atribuído a ele o repasse de cerca de R$ 18 milhões entre 2011 e 2016. Ele também foi preso.

Cavendish, conduzido coercitivamente, é réu em ação penal decorrente da Operação Saqueador. Em interrogatório este ano reconheceu ter pago propina a Cabral.

O nome da Operação C’est fini, um desdobramento da Lava Jato, é uma referência à festa promovida em Paris, em que Sadala e Cavendish dançaram com guardanapos na cabeça junto com os ex-secretários estaduais Sérgio Côrtes e Wilson Carlos, ambos presos pela Lava Jato.

Embora signifique “acabou”, outro personagem que usou guardanapo ainda não foi alvo das investigações. É o ex-secretário municipal de Urbanismo Sérgio Dias.

 

(Informações da Folha de S. Paulo)