Ex-subsecretário César Romero é preso por descumprir acordo de delação premiada

João Paulo Saconi

RIO - O ex-subsecretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, César Romero, foi preso nesta quinta-feira em um escritório na Rua México, no Centro da capital fluminense, por agentes da Polícia Federal (PF). A prisão foi noticiada pelo G1 e confirmada pelo GLOBO. Segundo a corporação, Romero foi detido por ter descumprido uma das cláusulas do acordo de delação premiada que assinou no âmbito da Operação Fatura Exposta, deflagrada em 2017 como uma das fases da Lava-Jato.

Romero foi responsável por entregar detalhes sobre o esquema de desvio de dinheiro público na área da Saúde durante as gestões do ex-governador Sérgio Cabral. Ele chegou a gravar o antigo chefe, o ex-secretário Sérgio Côrtes, e entregar o áudio da conversa para o Ministério Público Federal (MPF). No diálogo, Côrtes tentava convencer Romero a excluir alguns de seus crimes de uma eventual delação.

O acordo de Romero foi homologado pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Ainda não há informações sobre a claúsula descumprida pelo ex-subsecretário. Em 2018, a defesa dos empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita, presos na Fatura Exposta, pediu a anulação do acordo de Romero, sob o argumento de que uma perícia no telefone do ex-subsecretário teria indicado que ele mentiu ao depor diante dos procuradores. Iskin é sócio da Oscar Iskin, uma das maiores fornecedoras de próteses do estado e responsável, durante a gestão Cabral, por fornecer material ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into).

Também em 2018, Romero deixou de pagar em dia a multa de R$ 3,5 milhões, dividida em duas parcelas, acordada com o MPF como parte do acordo de delação. Seis meses após a homologação do acordo, a primeira parcela (de R$ 2 milhões) venceu e o pagamento não ocorreu em um primeiro momento. Após a falta de pagamento, a defesa de Côrtes acentuou o trabalho para desqualificar a delação de Romero, apontando não só a parcela atrasada como uma suposta adulteração na gravação do diálogo entre o ex-secretário e Romero.