Ex-superintendente da PF do Rio diz que deixou cargo porque 'houve pedido' para sua saída

Aguirre Talento e Bela Megale
Ricardo Saadi, ex-superintendente da Polícia Federal no Rio

BRASÍLIA - O ex-superintendente da Polícia Federal no Rio, Ricardo Saadi, afirmou em depoimento prestado na segunda-feira que sua saída do cargo em agosto do ano passado ocorreu de forma antecipada ao período inicialmente previsto e disse que foi informado que "teria havido um pedido de troca de superintendente".

O depoimento de Saadi foi prestado no inquérito que apura interferências indevidas do presidente Jair Bolsonaro na PF. Saadi deixou o cargo de superintendente em agosto do ano passado após declarações públicas de Bolsonaro pedindo a troca do comando da PF no Rio. Na ocasião, Bolsonaro tentou indicar um nome para o cargo, o delegado Alexandre Saraiva, mas a PF barrou esse nome e escolheu outro delegado, Carlos Henrique Oliveira.

A Superintendência da PF do Rio está no centro da investigação. Ao pedir demissão, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

Em seu depoimento, Saadi afirmou que recebeu um telefonema do então diretor-geral da PF Maurício Valeixo lhe afirmando que "havia resolvido adiantar os planos de troca da Superintendência do Rio de Janeiro". Segundo o delegado, momentos depois ele leu notícias com declarações de Bolsonaro de que haveria a troca do superintendente do Rio.

Segundo Saadi, Valeixo lhe informou "que teria havido um pedido de troca de superintendente" e que concordou com o pedido, afirmando que o delegado já queria deixar o cargo no Rio. Saadi afirma que a troca não se deveu a uma "insuficiência" em seu desempenho à frente da Superintendência e que não foram apresentados os motivos exatos para sua saída.