Ex-técnico de ginástica nega abusos e fala em vingança de atletas

Fernando de Carvalho Lopes durante oitiva no Senado (EFE)

Nesta quarta (16), o ex-técnico de ginástica artística Fernando de Carvalho Lopes depôs na CPI dos Maus-Tratos, no Senado, para falar sobre as mais de 40 acusações de abuso sexual de crianças e adolescentes.

Você já viu o novo app do Yahoo Esportes? Baixe agora!

Inicialmente, Lopes pediu ao presidente da CPI, o senador Magno Malta (PR-ES), para falar de forma reservada, mas teve seu pedido rejeitado. Mesmo assim, o ex-técnico negou abusar de qualquer atleta e fez acusações sérias.

Fernando revelou que acredita que algum dos outros técnicos (cinco brigavam por três vagas nas Olimpíadas) poderia ter armado as denúncias, já que é um meio competitivo e aconteciam muitas desavenças.

Outra acusação de Fernando é que alguns dos ex-atletas estão tentando induzir outros a falar como forma de vingança. Após o relator ler um pedaço de um discurso de um ex-atleta, Lopes disse: “Não acredito que não exista comunicação entre eles. Hoje é muito é muito fácil das pessoas conversarem, de se alinharem. Que eu acredito numa vingança, numa indução, eu acredito sim. Acredito numa indução de formação de opinião, principalmente de quem é mais novo. Com relação a muitos que me acusam, são os mesmos que bateram em minha porta pedindo para retornar a treinar comigo. Alegam que foram abusados quando mais novos, passa oito ou nove anos e pedem para retornar. Isso não foi nem um discurso meu, é um discurso do Marcos Goto, de atletas que saiam de mim, iam para ele e voltavam para mim. Então eu acredito que vai numa linha de vingança e indução sim”.

Perguntado se as acusações não seriam muito duras, já que era um assunto que poderia constranger os próprios acusadores, Fernando se defendeu. “Essa é uma pergunta que eu também me faço. O que levaria uma pessoa a chegar a um ponto desse? De se expor com um assunto desse e tentar destruir a vida de uma pessoa inocente. Essa é uma pergunta que eu também faço”, disse o ex-técnico, que abriu mão de seu sigilo telefônico dos últimos cinco anos.

Segundo Magno Malta, Fernando ainda está sendo investigado em outro processo, desta vez de desvio de verba pública destinada aos atletas. O ex-técnico se mostrou surpreso ao ouvir e disse que desconhecia o caso, já que não mexia diretamente com dinheiro e apenas passava as instruções da supervisora do clube. Mais tarde na oitava, ela foi nomeada – Ivonete Fagundes – e já foi intimada a depor.

Além de Ivonete, alguns dos atletas que acusam Fernando também serão convocados a depor. Os menores de idade serão ouvidos com apoio psicológico e em sessões reservadas.