Ex-titular do MEC, Milton Ribeiro é quarto homem a fazer parte do primeiro escalão do governo Bolsonaro que se envolveu em polêmica com armas; relembre

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RIO — 'Eu quero todo mundo armado', disse o presidente Jair Bolsonaro (PL), durante reunião ministerial gravada em 2020, ocasião em que é acusado pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro de ter tentado tramar uma espécie de "rebelião armada" contra o lockdown da pandemia. Num governo onde o próprio presidente já declarou que o armamento está abaixo apenas de Deus, da família e do Brasil, o exibicionismo com armas se tornou uma espécie de obrigação, e também uma demonstração pública de compromisso com a pauta armamentista por parte de ministros e ocupantes de altos cargos no Planalto — muitos deles militares. Nesta terça-feira (26), uma trapalhada do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro quase terminou em tragédia, quando acidentalmente disparou uma pistola carregada e destravada que levava numa pasta, no balcão de uma companhia aérea no aeroporto de Brasília. Os estilhaços do tiro feriram uma funcionária.

Polêmicas envolvendo armas são tão comuns quanto a sucessiva troca de ministros na importante pasta da Educação na atual gestão. Em agosto de 2019, por exemplo, o então ministro Abraham Weintraub chamou atenção ao publicar em sua rede social um vídeo num estande de tiro. Mais do que uma prática esportiva, uma demonstração, àquela altura, no início do governo, de alinhamento político com o presidente. "Como já tem gente falando que não fui eu que atirei, que furei o alvo com caneta Bic", disse na publicação, aprovada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). "Nem chama!", comentou o zero três.

'Imagine seu chefe com arma na cintura'

Menções à pauta armamentista também foram feitas, algumas vezes, pelo ex-secretário especial de Cultura, Mário Frias. Em suas páginas em redes sociais, ele já apareceu empunhando pistolas e até fuzis. Numa delas, em outubro do ano passado, foi criticado pelo ator Caio Blat: "Isso é Cultura pra vocês? Isso é a falência da Cultura, o vexame de quem não tem nada para oferecer além de armas". Em fevereiro, Frias postou uma foto segurando fuzil ao lado de Eduardo Bolsonaro, onde anunciava a liberação de R$ 1,9 bi via Lei Rouanet para restauração de patrimônio histórico, orquestras, museus e formação de artistas iniciantes, fazendo uma associação improvável de tópicos como arte, cultura e armas.

A postura de Frias com as armas também foi exposta em reportagem da "Folha de S. Paulo", que revelou que funcionários da pasta e até pessoas que se reuniam com ele na secretaria especial reclamavam de que o ator andava com arma na cintura. Para os servidores, a atitude era uma forma de intimidação já que ele tratava a equipe, sobretudo os terceirizados de forma abusiva. “Imagine esse contexto e o seu chefe com arma na cintura. O medo e a sensação de ameaça são constantes”, disse uma servidora em maio do ano passado.

Em novembro, já como ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles também chamou atenção ao ser visto com uma arma na cintura durante uma partida de futebol entre São Paulo e Athletico-PR, no estádio do Morumbi, em São Paulo. Quando ainda ministro, investigado no âmbito da Operação Akuanduba da Polícia Federal, que apurava desvio de conduta na pasta para beneficiar madeireiros ilegais, Salles causou desconforto ao chegar à sede da PF em Brasília acompanhado de um assessor armado.

'Mesmo armado, me senti indefeso'

Com a famosa "arminha" com a mão e tendo a política armamentista como uma de suas prioridades de governo, o presidente Jair Bolsonaro também já apareceu por diversas vezes armado, sozinho ou na companhia dos filhos e apoiadores. Em setembro do ano passado, sofreu críticas de um comitê da ONU após posar com uma criança fardada e empunhando uma arma durante evento em Belo Horizonte. Nas imagens, o garoto parece desconfortável com a situação.

Quase 25 anos antes de assumir o cargo mais alto do Executivo nacional, no entanto, o próprio Bolsonaro também já havia se envolvido num episódio, no Rio de Janeiro, em que perdeu a arma para assaltantes. Em julho de 1995, em Vila Isabel, o então deputado federal passava pela Rua Torres Homem, quando teve a moto e uma pistola que portava roubadas. "Mesmo armado, me senti indefeso", disse o então parlamentar, aos 40 anos, ao jornal "A Tribuna da Imprensa".

A experiência pessoal de se ver desarmado por criminosos não teve efeito sobre suas convicções a respeito do uso de armas por civis como forma de aumentar a segurança. Mas o episódio serviu como um dos argumentos usados pela ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, em abril do ano passado, para suspender trechos do decreto assinado por Bolsonaro para facilitar o acesso da população às armas.

"Ao que consta, o próprio Presidente da República já passou pela experiência de ter sua arma de fogo roubada e desviada para o arsenal de criminosos. Segundo notícia veiculada na mídia (A Tribuna da Imprensa, p. 5, ed. 13.858, publicado em 05 de julho de 1995), em 04 de julho de 1995, o então deputado federal Jair Bolsonaro teve sua pistola Glock 38 roubada por dois homens enquanto cruzava o bairro Vila Isabel na cidade do Rio de Janeiro. A ministra lembrou a declaração de Bolsonaro que admitiu a órgãos de imprensa, na época, ter se sentido "indefeso" mesmo armado.

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