Ex-vereador de Caxias acusado de chefiar grupo que furtou 14 milhões de litros de combustível é preso no Espírito Santo

Célia Costa
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Com quatro mandados de prisão e diversas anotações criminais, Denilson Silva Pessanha, o Maninho do Posto, ex-vereador de Duque de Caxias, era um dos bandidos mais procurados do Rio de Janeiro. Na manhã desta quinta-feira, Maninho do Posto foi preso por policiais civis da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados ( DDSD) e trazido de volta para o Rio. Também chamado de "Barão do Petróleo", Maninho levava uma vida de luxo no Espírito Santo, onde vivia em um dos principais bairros do estado capixaba, o bairro Praia da Costa, em Vila Velha. Denilson chegou a assumir outra identidade, com novo nome e família.

Proprietário de seis postos de combustível, todos em nome de laranjas, Denilson tinha a imagem de um empresário bem-sucedido e levava uma vida discreta, medida para não levantar suspeitas da polícia local. De acordo com a Polícia Civil, todo o patrimônio foi conquistado com o furto de combustível diretamente dos oleodutos da Petrobras.

Com base em informações do Setor de Inteligência e do Disque-Denúncia, os agentes localizaram e prenderam Maninho do Posto no município de Vila Velha, no Espírito Santo. No Portal dos Procurados, a recompensa por informação sobre o seu paradeiro era de R$ 5 mil. O delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), disse que Denilson Pessanha era um dos principais alvos da Polícia Civil. O ex-vereador é considerado o chefe da principal e maior organização criminosa especializada em perfuração e retirada de petróleo diretamente de oleodutos da Petrobras.

A operação que prendeu Maninho do Posto foi comandada pelo delegado André Leiras, titular da DDSD. Segundo a polícia, a organização criminosa interestadual chefiada por Maninho do Posto, com ramificações no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, foi responsável pelo furto de 14 milhões de litros de petróleo, somente entre junho de 2015 e março de 2017, ocasionando um prejuízo estimado de R$ 33,4 milhões a Petrobras no período.

Maninho do Posto foi surpreendido por Policiais Civis da DDSD, que tiveram o apoio de agentes da Delegacia Especializada de Narcóticos (Denarc-ES), nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira. Maninho do Posto morava no bairro Praia da Costa, um dos principais e mais caros do município de Vila Velha. Mesmo vivendo na cidade capixaba, as investigações mostraram que Maninho do Posto continua explorando o furto de combustíveis na Baixada Fluminense.

— Embora movimentasse uma quantia vultosa com o furto de combustível, Denilson Pessanha levava uma vida discreta e adotava uma série de artifícios para não chamar a atenção. Ele estava tão confiante de que não seria localizado, que ficou surpreso quando eu e minha equipe chegamos. Não ofereceu resistência e pouco falou. Antes que ele entre no sistema penitenciário, ainda quero ouvi-lo na delegacia — disse o delegado André Leiras

Neste ano, o Disque Denúncia chegou a aumentar para R$ 5 mil a recompensa por informações que possibilitassem a captura de Maninho do Posto".

— Foi um golaço da equipe do delegado André Leiras. Maninho do Posto é um dos principais alvos há muitos anos da quadrilha especializada em furto de combustível. Estamos ainda fazendo o levantamento do patrimônio dele, mas já identificamos seis postos de combustíveis que pertencem a ele, mas estão em nome de laranjas — explicou Felipe Curi.

Ligação com milicianos da Baixada

Com a prisão de Maninho do Posto, a polícia acredita que também está atacando mais um braço financeiro da milícia que atua na Baixada Fluminense. De acordo com Felipe Curi, as investigações apontam a ligação dele com grupos paramilitares:

— É uma prisão importante no combate aos grupos de milicianos. O furto de combustível seria mais uma fonte de renda da milícia.

Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Rio (MPRJ), as investigações revelam que a quadrilha, com núcleos em Duque de Caxias, Minas Gerais e em São Paulo chefiados pelo ex-vereador, sabia exatamente o que queria furtar. No Rio, o grupo mirava locais que seriam escavados para perfuração dos oleodutos, quase sempre em pontos distantes das rodovias. Durante a escavação, feita em período noturno ou de madrugada, o grupo usava a escolta de homens armados, para evitar a aproximação de curiosos.

Para romper os dutos, segundo denúncia do MPRJ, Maninho contratava uma espécie de mão de obra especializada. Esta parte do bando era encarregada de fazer a perfuração e de instalar válvulas nas tubulações, que, com auxílio de mangueiras, levavam gasolina, etanol, nafta e até óleo cru (petróleo) para caminhões-tanque.

Os núcleos de São Paulo e Minas seriam encarregados de contratar motoristas para levar os produtos roubados para esses dois estados. Segundo inquérito da Delegacia de Defesa de Serviços Delegados, a ação dos bandidos ocorreu em tubulações que cortam a Baixada, principalmente em Caxias e Magé. Em alguns casos, o bando chegava a transportar 40 mil litros furtados em uma só viagem. Um motorista que foi preso em flagrante revelou que iria receber R$ 8 mil pelo serviço.