Ex-vice-presidente da Caixa acobertava casos de assédio sexual, dizem funcionárias

Funcionárias da Caixa protestam pela demissão de Pedro Guimarães, que renunciou à presidência do órgão na semana passada. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
Funcionárias da Caixa protestam pela demissão de Pedro Guimarães, que renunciou à presidência do órgão na semana passada. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)
  • O vice-presidente Celso Leonardo Barbosa deixou o cargo no dia 3 de julho

  • Mulheres contam que ele fingia acolher vítimas para vigiá-las

  • Funcionárias da Caixa falam do sentimento de trabalhar em uma prisão

Na semana passada, o agora ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães foi afastado após o aparecimento de uma série de denúncias de assédio sexual contra funcionárias do órgão. Os relatos levaram à abertura de uma investigação por parte do Ministério Público Federal (MPF).

Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, as funcionárias revelaram mais um detalhe dos assédios: o ex-vice-presidente da Caixa Celso Leonardo Barbosa, que renunciou na última sexta-feira (1), encobria o crime e vigiava as mulheres.

“Essas mulheres que receberam o ‘carimbo’ do Pedro, elas ficavam subordinadas ao Celso”, contou uma das vítimas. De acordo com ela, o então vice-presidente fingia acolher as funcionárias que buscavam ajuda, mas na verdade queria manter um olho nelas, caso elas decidissem fazer uma denúncia.

“Não é que ele acolhia. Era uma forma de monitorar para ver se aquela história poderia, por exemplo, vazar”, revelou uma das funcionárias. “O 01 assedia e 02 protege com intuito de monitorar.”

Para uma delas, o trabalho parecia uma prisão. “Nós vivíamos uma prisão velada. Uma prisão de ser monitorada pelo fato de a gente ter dito não”.

As vítimas que vieram à público querem encorajar outras a falar. “É possível de ser comprovado, com base no que tantas pessoas já falaram e tantas outras pessoas que se encorajarão a falar, que a nossa força é a verdade. A gente não sente orgulho de ser vítima”, disse uma delas.

Relatos de assédio

Uma funcionária conta que foi assediada por Guimarães durante uma viagem. “Nessa viagem, ele sentou perto de mim e ele passava a perna em mim e afastava a minha perna e ele passava a perna em mim, e ficou muito constrangedor porque a gente não espera aquilo”, conta a mulher, que pediu para não ser identificada.

Ela relata que ele a levou para jantar. “Não era uma opção você recusar sair para jantar. No jantar, ele começou a falar coisas muito inapropriadas sobre traições, sobre não ter problema trair, um linguajar muito chulo... Ele me puxou pelo braço, me segurou e falou olhando nos meus olhos que na próxima viagem iríamos só nós dois”.

A defesa do ex-presidente nega as acusações, assim como a de Celso Leonardo Barbosa, que diz que não há "absolutamente nada" contra ele, e que ele saiu da Caixa para que "não se questione a imparcialidade das apurações".

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