Exame confirma que restos mortais são de Dom Phillips

Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e foi assassinado junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira na região do Vale do Javari, na Amazônia (Foto: Reprodução)
Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e foi assassinado junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira na região do Vale do Javari, na Amazônia (Foto: Reprodução)

O exame forense de uma arcada dentária dos restos mortais encontrados na floresta amazônica confirmou que eles pertenciam ao jornalista britânico Dom Phillips. Ele e o indigenista Bruno Pereira sumiram no dia 5 de junho e teriam sido assassinados por pescadores ilegais na região do Vale do Javari, no Amazonas.

As informações foram publicadas inicialmente pelo jornalista Kenzô Machida, da CNN Brasil, nesta sexta-feira (17), citando fontes da Polícia Federal, e posteriormente confirmada pela própria PF em nota.

Segundo a PF, a confirmação veio a partir de um exame "de Odontologia legal combinado com a Antropologia forense".

Além disso, completou em nota, que "os trabalhos para completa identificação dos remanescentes, para a compreensão das causas das mortes, assim como para indicação da dinâmica do crime e ocultação dos corpos" seguem em curso

Fontes da PF relataram, segundo a CNN, que a família de Dom enviou exames com as características da arcada do jornalista — o que teria ajudado a acelerar a identificação pelos peritos do Instituto de Nacional Criminalística, em Brasília.

Mesmo com a análise das arcadas dentárias, ainda deve ser feito um exame de DNA nos restos mortais de Dom Phillips para uma segunda confirmação.

As partes de corpos que podem ser do indigenista Bruno Pereira seguem sendo periciados. A Polícia Federal ainda aguarda documentos da família e a análise de exames do indigenista.

Os restos mortais encontrados no local das buscas chegaram a Brasília às 18h34 da quinta-feira (16).

'Há grandes chances' de que corpos sejam de Dom e Bruno, diz PF

A PF declarou, na noite de quarta-feira (15), que havia "grandes chances" de que os "remanescentes humanos", como a PF chamou os restos mortais dos dois, serem do jornalista britânico e do indigenista brasileiro.

O local onde os restos humanos foram encontrados ficava 3,1 quilômestros mata adentro a partir da margem do Rio Itaquaí, próximo do município de Atalaia do Norte, no oeste do estado do Amazona. O barco onde navegavam Dom e Bruno, contudo, ainda não foi encontrado.

A região onde estavam os corpos foi indicada por um dos detidos, que confessou o crime na madrugada de quarta, segundo o superintendente. A reconstituição do crime, segundo Alexandre Frontes, foi feita no local onde os corpos foram achados.

Fontes da PF apontam que a confissão teria sido feita Amarildo da Costa de Oliveira, conhecido como "Pelado", preso desde o dia 7 de junho. Também está preso o irmão de Amarildo, identificado como Oseney da Costa Pereira, o "Dos Santos".

Policiais federais carregam um caixão contendo restos mortais depois que um suspeito confessou ter matado o jornalista britânico Dom Phillips e o especialista indígena brasileiro Bruno Pereira e levou a polícia ao local dos restos mortais, na sede da Polícia Federal, em Brasília, Brasil, 16 de junho de 2022. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino).
Policiais federais carregam um caixão contendo restos mortais depois que um suspeito confessou ter matado o jornalista britânico Dom Phillips e o especialista indígena brasileiro Bruno Pereira e levou a polícia ao local dos restos mortais, na sede da Polícia Federal, em Brasília, Brasil, 16 de junho de 2022. (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino).

Novas prisões ainda devem acontecer "a qualquer momento", segundo a PF, que trabalha ainda com a hipótese da participação de uma terceira pessoa no crime.

Nesta quarta, a Justiça do Amazonas decretou a prisão temporária por 30 dias de Oseney. Ele, contudo, nega que tenha participado no crime.

PF diz que crime não teve mandante nem apoio de organização criminosa

As investigações sobre a morte de Bruno Pereira e Dom Phillips avaliam que não houve mandante para o crime, nem a participação de uma organização criminosa, conforme informou a Polícia Federal nesta sexta-feira (17).

Em nota, o comitê de crise que acompanha o caso e tem coordenação da PF, disse que as apurações continuam e que novas prisões podem ser decretadas, mas, por ora, provas "apontam que os executores agiram sozinhos".

"As investigações também apontam que os executores agiram sozinhos, não havendo mandante nem organização criminosa por trás do delito. Por fim, [o comitê de crise] esclarece que, com o avanço das diligências, novas prisões poderão ocorrer", afirma o comunicado.

Já a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) rebateu a nota da PF e citou "requintes de crueldade".

"O requinte de crueldade utilizados na prática do crime evidenciam que Pereira e Phillips estavam no caminho de uma poderosa organização criminosa que tentou à todo custo ocultar seus rastros durante a investigação", destacou a Univaja.

Segundo a entidade, o grupo grupo de caçadores e pescadores profissionais, envolvido no assassinato de Pereira e Phillips, foi descrito em documentos enviados ao MPF, a Funai e a PF.

"Com esse posicionamento, a PF desconsidera as informações qualificadas, oferecidas pela UNIVAJA em inúmeros ofícios, desde o segundo semestre de 2021, período de implementação da EVU. Tais documentos apontam a existência de um grupo criminoso organizado atuando nas invasões constantes à Terra Indígena Vale do Javari, do qual Pelado e Do Santo fazem parte", disse a entidade em nota.

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