Exame de contraprova em adolescente dá positivo para coronavírus, mas governo diz que caso não entrará na lista

NATÁLIA CANCIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O resultado do teste de contraprova de uma adolescente que vive em São Paulo deu positivo para o novo coronavírus, informou nesta quinta-feira (5) o Ministério da Saúde.

O governo, porém, afirma que o registro não deve entrar na lista de confirmados por não se enquadrar na definição de caso do covid-19. "Segundo critérios técnicos, embora tenha confirmado a presença do vírus, um portador assintomático não cumpre a definição de caso, o que incluiria febre associado a mais um sintoma respiratório. Portanto, esse não será somado aos casos confirmados do novo coronavírus", informa.

Em nota, o ministério diz que estuda uma infecção assintomática pelo coronavírus. A pasta qualifica a situação como atípica e diz que o caso continua a ser avaliado em conjunto com secretarias de saúde municipal e estadual de São Paulo.

A previsão é que sejam feitas agora outras análises para observar carga viral e potencial de transmissão e se houve supressão de sintomas por uso de medicamentos.

Com a decisão do ministério por não incluir o registro, o Brasil permanece com três casos confirmados de covid-19. Outros 531 suspeitas estão em investigação, enquanto 315 já foram descartadas após exames.

O caso era analisado desde quarta-feira (4), quando resultado de um primeiro exame feito pela adolescente na rede privada deu positivo para o novo coronavírus. Trata-se de uma estudante de 13 anos que esteve na Itália. Lá, ela passou por Milão e depois pela região de Dolomitas, onde ficou internada em um hospital por causa de uma lesão no joelho.

O retorno ao Brasil ocorreu no domingo (1º). Na terça (3), ela esteve no hospital Beneficência Portuguesa, onde coletou amostras para exames, que deram positivo. Teste de contraprova feito pelo instituto Adolfo Lutz confirmou a análise.

A adolescente, porém, não teve sintomas desde que chegou ao país. Segundo equipes do Ministério da Saúde, a probabilidade é que ela tenha feito o teste por ter estado internada em um área onde há transmissão do novo vírus e para possíveis novos procedimentos médicos.

A pasta diz que irá avaliar se um eventual medicamento usado para tratamento da lesão no joelho pode ter levado a estudante a não ter sintomas. O histórico dos familiares que a acompanharam na viagem também deve ser analisado. Embora não se enquadre como caso confirmado, a adolescente e contatos são monitorados, diz o ministério.

Atualmente, não há recomendação para que casos sem sintomas sejam testados para o novo vírus. Nesta quarta, ao ser questionado sobre o caso, ainda em investigação naquele momento, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, negou que mudanças na orientação atual da pasta.

"Do ponto de vista da saúde pública, não vamos fazer exame de todo mundo para, numa loteria esportiva, saber se alguém teve o vírus", disse ele, para quem a medida seria ineficaz na contenção do vírus. Ainda na quarta, o Ministério da Saúde confirmou o terceiro caso de covid-19 no Brasil.

O paciente é um homem de 46 anos nascido na Colômbia, mas que vive em São Paulo e fez viagens recentes à Espanha, Itália, Áustria e Alemanha. Ele foi atendido no hospital Albert Einstein e teve o caso confirmado em exames. Em seguida, foi encaminhado para isolamento domiciliar.