Exame de imagem não é essencial em caso de dor nas costas

Aquilo que chamamos de dor nas costas na maioria das vezes se refere à que sentimos na região da cintura, na parte de trás do corpo, e que, eventualmente, pode irradiar para as nádegas e as pernas. Essa dor é a maior causa de afastamento da vida produtiva, entre todas as doenças.

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Qual a razão disso? Em nossa evolução do recém-nascido à vida adulta, o grande desafio é vencer a força da gravidade e ficar de pé. Para isso, nosso sistema nervoso se alia ao sistema musculoesquelético a fim de erguer o corpo. Pequenas etapas vão sendo vencidas, vamos aprendendo novos movimentos, e daquele engatinhar tosco chegamos (poucos...) a astros no esporte, na dança, mestres no controle corporal.

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Só que alguns não têm esta facilidade e ficam pelo meio do caminho, com movimentos precários, desajeitados. Outros, devido a algum acidente ou traumatismo, têm sua qualidade de movimentos revertida a níveis mais primários. Estas pessoas são aquelas em que a dor lombar baterá à porta, em sua imensa maioria.

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Por conta de movimentos ruins, falta de conhecimento do próprio corpo, acabam sobrecarregando estruturas inadequadas para a carga aplicada e, depois de algum tempo, aparecerão com quadros dolorosos inicialmente passageiros e, posteriormente, permanentes.

Quando a dor surge, finalmente vão à procura de ajuda. Então conhecem a máquina de controvérsias que se alimenta da dor lombar. Muitas opiniões, às vezes conflitantes, e o paciente fica perdido, sem saber por onde começar, em que acreditar — e com dor!

Vamos pelo começo. Você acha que o exame de imagem é essencial? A maior parte dos pacientes não fica tranquila enquanto não tem um documento indicando as mazelas reveladas pela ressonância e, com isso na mão, peregrinará por vários consultórios. Mas olha só que interessante: os protocolos médicos internacionais recomendam que, em casos simples de dor lombar, chamados de “dor lombar inespecífica”, não seja feito qualquer exame de imagem! Isso por conta do que se chamou “catastrofismo”: o paciente acredita que aquilo que vê no exame o condena à imobilidade e, ao condenar-se à imobilidade, perde a chance de ter uma vida normal. Confia-se na boa colheita da história e no bom exame físico. Se houver alguma suposição de maior gravidade, aí o exame deve ser pedido.

E o tratamento, então? Como decidir o que é certo? Opera ou não opera? Toma o novo remédio ou não? Para nossa sorte, temos hoje a medicina baseada em evidências, que acabou com várias crenças errôneas, provando ser danoso fazer repouso na cama por causa da dor e mostrando não ser obrigatória a cirurgia quando comparada ao tratamento conservador. Recentemente, soubemos que anti-inflamatórios podem ser responsáveis pela cronificação da dor lombar. Isso porque a interrupção indevida do processo inflamatório, que também tem papel reparador, pode fazer que a dor permaneça.

Atualmente, centros de pesquisa mostram como avaliar e que exercícios prescrever para evitar ou tratar a dor nas costas. É como se nossa coluna fosse uma planta num vaso. Se o vaso não é forte o suficiente, a planta não se sustenta. Por isso, a ideia é trabalhar a estabilidade, mas sem esquecer que nossa coluna deve ser flexível. Para isso, é necessário conhecimento profundo da anatomia e da dinâmica da coluna.

E se a dor se estabelece? As duas condições devem ser tratadas ao mesmo tempo. Tanto trabalhar a musculatura e a flexibilidade, movimentando-se, quanto lidar com a dor. Sabemos que a dor contínua altera o sistema nervoso, e torna-se um problema por si só; porém há tratamentos que podem ser eficazes, mas demandam tempo. Soluções rápidas, imediatas, geralmente são perigosas ou inúteis. São essenciais os cuidados com a postura. Permanecer sentado muito tempo é um veneno para as costas! Devemos treinar os movimentos corretos, da mesma forma que um atleta treina seus fundamentos. Como se sentar, como levantar, como abaixar, como carregar peso.

Medicação, acupuntura, métodos físicos podem e devem ser utilizados. Para cada pessoa, certamente há um caminho de alívio, e cabe ao médico encontrá-lo.

*Marcus Vinicius Ferreira, médico acupunturista e fisiatra, é mestre em Ortopedia pela UFRJ

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