Exame para médicos estrangeiros, Revalida terá etapa digital em 2020

Paula Ferreira

BRASÍLIA- O Ministério da Educação (MEC) anunciou nesta quinta-feira que haverá duas edições do exame Revalida no próximo ano e a primeira fase será digital. O exame abre a possibilidade de que médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior possam exercer a profissão no país. A expectativa é que a primeira edição do Revalida já seja aplicada no primeiro semestre de 2020.

Na terça-feira, a Câmara aprovou um projeto de lei que autoriza a emissão de revalidação de diplomas também por universidades privadas. Para que possam fazer esse serviço, as instituições privadas devem estar classificadas com nota 4 ou 5 no Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC. De acordo com o ministério, em caso de fraude na emissão de diplomas, as universidades poderão ser punidas com redução de nota no IGC ou, dependendo do caso, até serem descredenciadas pelo MEC.

O MEC aplicará a primeira fase do exame, que é teórica, digitalmente em parceria com a Unifesp, a Universidade Federal do Ceará (UFC) e o National Board Medical Examiners, dos Estados Unidos. A intenção do ministério é que futuramente o modelo também possa servir para aplicação de provas de residência médica em todo país. O resultado da primeira fase terá validade estendida e caso o candidato não seja aprovado na segunda etapa, que é prática, poderá reutilizar a nota da fase inicial nas próximas duas edições.

- A nossa preocupação é com a parte educacional. Aumentou a quantidade de médicos vai ser bom para a sociedade como um todo. Foram dados nós em gestões anteriores e agora começamos a desatá-los, o primeiro deles é a questão do Revalida- afirmou o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Segundo o MEC, 15 mil médicos aguardam para revalidar seus diplomas. A última edição do exame foi realizada em 2017. Para revalidar o diploma, o candidato terá de pagar uma taxa de R$ 330 na primeira fase e R$ 3.300 na segunda. Antes, segundo o ministro, o valor era R$ 150 e R$450, respectivamente. O aumento de custo para o médico que tenta revalidar o diploma foi uma opção para desonerar os gastos públicos com a prova. Em 2017, o MEC gastou R$ 4 milhões com o exame, cerca de R$ 9,5 mil por candidato aprovado. A adoção do modelo digital na primeira fase reduziu o valor por candidato aprovado para os R$3600 que serão cobrados por candidato somando ambas as fases.

Também houve modificação no conteúdo da prova. No próximo Revalida serão incluídas questões sobre saúde mental que, segundo o secretário de ensino superior, Arnaldo Lima, não podem ficar de fora porque fazem parte da realidade atual da sociedade.