EXCLUSIVO-Distribuidoras farmacêuticas debatem cota de suprimento de vacinas contra Covid-19 com EUA

Carl O'Donnell e Richa Naidu
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Vacinação contra Covid-19 nos EUA

Por Carl O'Donnell e Richa Naidu

(Reuters) - Distribuidoras farmacêuticas dos Estados Unidos estão conversando com autoridades federais sobre um aumento no número de empresas que despacham vacinas contra coronavírus, parte da iniciativa do governo Biden para acelerar as inoculações, de acordo com um executivo da indústria e três pessoas a par do assunto.

O presidente norte-americano, Joe Biden, classificou a fase inicial da campanha de vacinação como um "fracasso assombroso", e como a vacinação está num ritmo de cerca de um milhão de pessoas por dia, o novo governo quer ampliar e melhorar o programa.

A gestão Trump assinou um acordo de exclusividade com a distribuidora de serviços de saúde McKesson Corp para esta enviar vacinas contra Covid-19 para o governo. Este sistema de distribuição vem funcionando em termos gerais, mas enfrentará novas exigências quando vacinas adicionais da Johnson & Johnson e outras forem acrescentadas.

A Cardinal Health Inc e a AmerisourceBergen Corp, que juntamente com a McKesson são as maiores distribuidoras de produtos de saúde, propuseram assumir parte da distribuição. A equipe de Biden está aberta à ideia, de acordo com uma executiva da AmerisourceBergen e duas pessoas a par das conversas, mas todos disseram que o governo Biden ainda não tomou uma decisão.

"Estamos prontos para apoiar a distribuição da vacina e estamos defendendo a adição de outras distribuidoras farmacêuticas ao esforço", disse Heather Zenk, vice-presidente sênior da AmerisourceBergen, em uma entrevista à Reuters.

Autoridades governamentais foram receptivas e estão estudando a proposta, disse ela, acrescentando que a empresa não "recebeu nenhum contato formal de contratação a esta altura".

O Departamento de Saúde dos EUA não quis comentar, dizendo que está proibido de compartilhar informações sobre conversas a respeito de contratações. A McKesson não comentou as tratativas entre os EUA e outras empresas, mas disse acreditar que a abordagem atual funciona melhor por garantir remessas seguras e rápidas.

Até agora, duas vacinas receberam autorização de uso emergencial para a inoculação de adultos da população norte-americana de 330 milhões de habitantes. A McKesson se encarrega de remessas da Moderna Inc, parte do programa governamental Operação Warp Speed. A vacina da Pfizer Inc não faz parte do programa de distribuição do governo.

A Johnson & Johnson, que faz parte da Operação Warp Speed, divulgará dados de sua candidata a vacina na semana que vem, e pode receber uma autorização dos EUA já em fevereiro.

(Por Carl O'Donnell em Nova York e Richa Naidu em Chicago; reportagem adicional de Nandita Bose em Washington)