Fotógrafos da Efe exibem dualidades da Amazônia no Jardim Botânico do Rio

Rio de Janeiro, 27 abr (EFE).- Água em abundância e a seca, exuberância da floresta e desmatamento, uma fauna rica e a morte de espécies por meio da ação do homem são algumas das dualidades presentes na Amazônia que foram captadas por fotógrafos da Agência Efe e agora estão expostas no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Inaugurada nesta quinta-feira por ocasião do 50º aniversário das atividades da Efe no Brasil, a mostra fotográfica "Água e Vida" compartilha com os visitantes imagens impactantes de riquezas e mazelas presenciadas em diversas reportagens da agência na maior floresta tropical do mundo.

"O público pode observar tanto as belezas locais como os problemas da Amazônia. Queremos mostrar suas riquezas, mas sem ignorar a interferência humana na degradação ambiental", afirmou Marcelo Sayão, vencedor do Prêmio de Jornalismo Rei da Espanha de Fotografia em 2001 e coordenador do departamento de fotografia da Agência Efe no Brasil.

"Tem uma foto nessa exposição que me marcou muito, a de um ribeirinho que vendia uma pele de onça. Isso me matou. Quero dizer, você está lá para fazer um determinado trabalho, visita uma comunidade, e um senhor quer te vender uma pele. Dói ver que as pessoas ainda têm essa mentalidade de matar nossos animais para vender, e o pior, que ainda há compradores", lamentou Sayão sobre o episódio, retratado na mostra em contraste com a foto de um exemplar vivo.

Fotógrafo sênior da Efe, Antonio Lacerda também levou seu olhar sobre dualidades à exposição, que segundo ele pode contribuir para conscientizar as pessoas sobre a necessidade da preservação da Amazônia.

"Minhas fotos mostram a beleza, mas também a degradação, e esse contraponto é importante para mostrar o trabalho que deve ser feito para a preservação da floresta", afirmou.

Lacerda destacou ainda as fotos que mostram o cotidiano de quem vive na imensa região amazônica.

"(A mostra também aborda) a cultura da população ribeirinha, dos índios. A Amazônia não é só a mata, tem uma população lá que depende dela, é importante para eles mostrarem ao país o que eles têm para oferecer", comentou.

Fotógrafo da Efe em São Paulo e com ótimas experiências para contar sobre seus trabalhos na floresta amazônica, Fernando Bizerra ressaltou o prazer de registrar com suas lentes o que presenciou em reportagens.

"É uma sensação bem legal, tive prazer em fotografar a Amazônia. Uma parte da essência deste país está lá. A pureza das pessoas, a beleza da natureza. Você ter a oportunidade de fotografar todo o encanto da preservação da natureza, das tradições indígenas, da cultura local. É algo que me dá orgulho, poder contar um pouco da cultura do meu país", enalteceu.

Assim como os companheiros de agência, Bizerra vê como uma "responsabilidade grande mostrar a beleza e, ao mesmo tempo, os problemas que aquela região vive".

"São os problemas que qualquer região do Brasil tem, mas que são singulares por ser uma região completamente diferente, de difícil acesso e locomoção. Mas está tudo lá: a violência, falta de educação, falta de hospitais, é importante mostrar isso. Temos que mostrar a cultura e não deixar de expor esses problemas", disse.

Além dos belos trabalhos de Sayão, Lacerda e Bizerra, a mostra conta com o olhar especial de Raimundo Valentim, que colaborou com a Efe em Manaus durante 14 anos. Chamado carinhosamente por colegas de profissão de "Professor", ele faleceu em março, após lutar contra um câncer, e foi homenageado na abertura da exposição, que teve a presença de seu filho Rafael.

"Sem as fotos do Professor, essa exposição não seria completa, não ficaria tão bonita. O olhar que ele tinha, não é à toa que era conhecido assim. É so observar as fotos para ver o talento dele. Gostaria que estivesse aqui, mas não é possível, e acho que foi uma bonita homenagem, ainda mais a com a presença do filho", afirmou Sayão.

Por sua vez, Lacerda lembrou que o conheceu quando estava no início da carreira, enquanto Valentim já era "cascudo", como definiu.

"Era um profissional de enorme grandeza, um coração maravilhoso. Tinha, não, tenho um enorme carinho por ele. A maioria das fotos aqui é dele, que merece. São 50 anos da Efe, mas também está implícita aqui uma homenagem ao Raimundo", contou.

A exposição "Água e Vida", que tem com o patrocínio de Coca-Cola, Repsol, Empresa de Navegação Elcano e Celeo Redes, ficará em cartaz até 30 de junho no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. EFE