Executado no Rio, Fernando Iggnácio era inimigo declarado de Rogério Andrade

Luana Dandara
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A morte de Fernando Iggnácio Miranda marca o fim de uma guerra entre contraventores que marcou o Rio de Janeiro nas últimas décadas. Ex-genro de Castor de Andrade, conhecido como o mais poderoso dos bicheiros, ele controlava a empresa Adult Fifty, exploradora de caça-níqueis na Zona Oeste do Rio.

Em 1997, com a morte de Castor por infarto, foi iniciada uma disputa familiar pelo controle dos pontos de jogo do bicho e máquinas caça-níqueis na região. Iggnácio e Rogério Andrade, sobrinho de Castor, entraram numa guerra sangrenta. Investigações da Polícia Federal mostram que a disputa entre os dois resultou em mais de 50 mortes entre 1999 e 2007.

No ano de 2001, Rogério de Andrade foi vítima de uma tentativa de assassinato e Iggnácio foi apontado como um dos mandantes do crime. Em abril de 2010, o filho de Rogério, de 17 anos, morreu num atentado a bomba na Barra. O adolescente dirigia o carro do pai, que seria o verdadeiro alvo do ataque.

Preso em 2006, pela Polícia Federal, Fernando Iggnácio chegou a cumprir pena no presídio de Bangu 8, mas conseguiu um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e deixou a prisão em pouco tempo.

Em junho deste ano, um imóvel do contraventor morto foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma grande operação contra o Escritório do Crime. Iggnácio é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como mandante da morte do ex-policial militar Anderson Cláudio da Silva, o Andinho, em 10 de abril de 2018, no Recreio dos Bandeirantes.

Castor Gonçalves de Andrade e Silva tornou-se o chefão da contravenção no Rio nos anos 70 e chegou a expandir seus domínios para o Nordeste. Ele morreu de infarto em abril de 1997, dando início a uma guerra na família pela sucessão. Ainda em vida, Castor escolhera Rogério, seu sobrinho, para comandar a contravenção na Zona Oeste e em outras áreas do estado. O filho de Castor, Paulinho, não concordou e iniciou uma batalha com o primo. Em 1998, Paulinho e um segurança foram assassinados na Barra. O genro de Castor, Fernando Iggnácio Miranda, assumiu o lugar na disputa com Rogério.

De acordo com investigações da polícia, a partir da metade dos anos 1990, Fernando Iggnácio passou a controlar a Adult Fifty, empresa que explorava caça-níqueis em toda a Zona Oeste. Em 1998, Rogério teria fundado a Oeste Rio. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001. Em abril de 2010, outro ataque: o filho de Rogério, de 17 anos, morreu num atentado na Barra. Em vez do pai, era o rapaz que dirigia um carro no qual foi colocada uma bomba. Segundo uma investigação da Polícia Federal, os contraventores César Andrade de Lima Souto e Fernando Andrade de Lima Souto estariam envolvidos no crime.