Executiva do PSDB aprova aliança com MDB e apoia candidatura presidencial de Tebet

Após meses de impasse em torno de uma candidatura presidencial, a executiva nacional do PSDB aprovou, por 39 votos a seis, nesta quinta-feira o apoio ao nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) para ser a representante da terceira via na corrida ao Palácio do Planalto. O vice deve ser o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

O presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, informou que a tendência é que Tasso seja o vice, mas deixou o claro que o PSDB ainda discute o nome que vai indicar para composição.

— O nome do senador Tasso é um dos mais relevantes dessa construção, mas nós temos que lembrar também as alternativas. Temos a senadora Mara Gabrilli, ex-governadores nossos que também podem estar à disposição, e as bancadas de deputados federais e senadores. Mas o senador Tasso é o que tem de melhor na história do partido.

Nas últimas semanas, as negociações entre tucanos e emedebistas se arrastaram por causa de entraves regionais nas eleições dos estados. O principal empecilho era a disputa ao governo gaúcho, onde o MDB lançou como pré-candidato o deputado estadual Gabriel Souza. Inicialmente, os tucanos condicionaram a retirada da candidatura de Souza para que o MDB apoie o PSDB na eleição ao Palácio do Piratini, o que ainda não ocorreu. Pediram também reciprocidade do MDB em Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, mas essas contrapartidas também seguem incertas.

Ainda assim, a unidade entre as duas siglas no Rio Grande do Sul ainda não está fechada. Um dos motivos que dificultam a coligação é a indefinição do ex-governador Eduardo Leite, que ainda não oficializou sua candidatura em busca de um segundo mandato. Leite renunciou ao governo em abril, já que sua preferência era por uma candidatura presidencial. Seu plano fracassou diante da insistência da candidatura do ex-governador João Doria, que venceu as prévias do partido. O paulista ameaçou judicializar para encabeçar a chapa de centro, mas depois desistiu por falta de apoio político. Ainda que haja uma ala tucana que defenda uma candidatura própria, Leite avalia que não há mais ambiente na sigla depois de tantas divisões internas e desgastes.

O aval do PSDB a uma chapa encabeçada por um nome de outro partido é visto internamente como uma mudança brusca na tradição da legenda, que desde a sua fundação, sempre teve representante na corrida presidencial. Em seis das oito disputas desde 1989, o PSDB foi protagonista, com duas vitórias e quatro segundo lugares.

O MDB e as outras siglas de centro como o Cidadania e até as que deram origem ao União Brasil (DEM e PSL) nunca desempenharam papel de destaque em eleições presidenciais. A única exceção foi o PSL, em 2018, com o presidente Jair Bolsonaro, que se filiou às vésperas da eleição e deixou a legenda ainda no primeiro ano de mandato.

Diante de uma crise interna sem precedentes e da perda de parlamentares bolsonaristas na última janela partidária, o PSDB, que perdeu identidade nos últimos anos, tenta recuperar sua relevância nacional. Agora, o foco do partido é aplicar a maior parte dos recursos eleitorais para a eleições da bancada no Congresso e dos governos estaduais, especialmente São Paulo. A sigla comanda o estado mais rico do país há 26 anos ininterruptos, mas desta vez vê o pleito em risco em meio a polarização nacional. O governador Rodrigo Garcia, que concorre à reeleição, ainda patina nas pesquisas de opinião e é desconhecido da maior parte da população. Além disso, ele tenta se descolar de Doria, já que a maior parte dos eleitores não estão dispostos a votar num candidato apoiado pelo antecessor.

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