Executivos do futebol se antecipam à lei e buscam profissionalização

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A Câmara dos Deputados aprovou recentemente o projeto de lei que quer profissionalizar o cargo de executivo de futebol. De acordo com o texto, todo profissional que atuar no cargo terá que ter formação acadêmica. Para se tornar lei, o Senado precisa aprovar a proposta e, em seguida, o presidente sancioná-la. Mas há muitos executivos que se anteciparam à proposta e já buscam se profissionalizar por si.

O projeto prevê que o executivo tenha formação em dois cursos, um de Gestão de Futebol e outro de Formação de Executivo de Futebol. Segundo a CBF Academy, desde 2018, 3.209 pessoas se formaram nos cursos de gestão. Sendo que quase metade (1.469) concluíram a qualificação em 2021. A quantidade de cursos também cresceu: foram 41 no mesmo período, com 19 turmas finalizadas no ano passado.

De acordo com Michel Mattar, coordenador da CBF Academy, a pandemia teve influência no aumento da procura pelos cursos porque o portfólio dos cursos aumentou e ele foi digitalizado. Mas também contou que, com o passar dos anos, o curso foi aperfeiçoado, abrangendo diversas áreas, o que faz com que os alunos sejam ecléticos.

— Tem pessoas do mercado, outras em transição de carreira, jogadores que estão finalizando as atividades em campo e querem atuar como dirigentes e pessoas de outras áreas também — conta.

Mattar também reforçou que o curso de gestão é amplo, mas que há outros específicos por áreas, como montagem de comissão técnica e relações internacionais, por exemplo. Ele frisa que essa especialização também aumenta a quantidade de alunos.

Fortalecimento

Cícero Souza, executivo do Palmeiras e também diretor da Associação Brasileira dos Executivos de Futebol (Abex), que hoje conta com 93 membros, afirmou que o projeto de lei contribui para o fortalecimento da profissão e que tem percebido que a categoria está receptiva à ideia. Ele lembrou que o executivo é visto como alguém que contrata jogadores, mas afirma que essa visão é superficial e que a função, apesar de ser extremamente importante, é apenas parte do trabalho.

— Existem muitos conhecimentos específicos sobre a condução do dia a dia de um departamento de futebol que precisam ser bem dominados a nível técnico, como por exemplo, a interação com a área de saúde e a análise de desempenho; os dispositivos protetores e formadores das categorias de base; o conhecimento sobre o registro e a logística para uma supervisão gabaritada; e fazer a interlocução com os outros departamentos como o Jurídico, o Marketing, a Comunicação e o Financeiro — elencou Cícero sobre o trabalho do executivo de futebol.

Alexandre Mattos se formou na primeira turma da CBF Academy e hoje dá aulas na instituição. Ele também concorda que a exigência de formação acadêmica favorece a profissão:

— Eu acho que a exigência tende a contribuir. É uma profissão muito importante, que ganhou muito espaço atualmente. É uma profissão que tem responsabilidade muito grande de gerir muitas pessoas, de gerir orçamento, de mexer com a paixão e cuidar da paixão — conta Mattos. — É a gestão daquilo que pessoas amam. Então eu acho que é sadio buscar essa obrigatoriedade de as pessoas terem esse pré-requisito definido, principalmente na área da capacitação acadêmica em si.

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